A nova publicação e os novos leitores

março 15th, 2010 § 0

Algo a acrescentar?

I é eleito o melhor jornal nacional diário da Europa de 2009

novembro 15th, 2009 § 0

i

Meses atrás falei do lançamento de um novo jornal português, o I. Pois bem, este post rápido é apenas para informar que o periódico foi galardoado com o prêmio European Newspaper Award de melhor jornal nacional diário de 2009.

Com conta em várias redes sociais, I possui um dos melhores sites de jornal que conheço. Bem que os diários brasileiros poderiam aprender a fazer sites (e como ter uma presença efetiva na rede) com o I (e também com os ótimos Público e Expresso).

Fica a dica.

Juliano Spyer e Governador Cid Gomes no III Fórum de Comunicação do Governo Federal no Nordeste

novembro 7th, 2009 § 0

Fortaleza foi sede do III Fórum de Comunicação do Governo Federal no Nordeste. O evento ocorreu no Banco do Nordeste nos dias 04 e 05 de Novembro.

A segunda mesa de quinta-feira foi composta por Juliano Spyer, analista da Talk Interactive, e o Cid Gomes, governador do estado do Ceará.

Spyer fez uma apresentação distópica sobre a Internet. Após uma contextualização rápida de como surgiu e como funciona a rede, citou casos onde a web foi usada a favor de regimes de exceção.

Spyer não demoniza a Internet, pelo contrário, apenas demonstra que, como ferramenta democrática, a rede dar voz a todos, com o agravante de que ela potencializa essas vozes. Logo, neonazistas podem criar comunidades no Facebook incitando a violência contra ciganos e torcidas organizadas podem marcar confrontos pelo Orkut. Ou seja, a Internet, como qualquer outra ferramenta, a princípio, não é boa nem ruim, o uso que fazemos dela é vai determinar.

Spyer encerrou sua apresentação citando um exemplo de Fortaleza de como a ferramenta pode ser usada de forma positiva. O WikiCrimes, do vizinho de condomínio Vasco Furtado, é um software colaborativo de ocorrências criminais e já foi referenciado por gente do gabarito de Clay Shirky.

A intervenção do governador do Estado, discorrendo acerca de sua experiência no Twitter, não foi das mais empolgantes. Melhorou um pouco com as perguntas da plateia. No vídeo acima, Cid Gomes fala sobre o imbróglio da #urlbura, onde todos os sites ligados ao Governo do Estado são redirecionados para o site do Governo. Ora, isso nada mais é do que inflar o tráfico do site de forma artificial. Cid Gomes ainda falou sobre a política que adotou para seguir pessoas no Twitter e, perguntado sobre o que achava do Twitter de José Serra, governador de SP, afirmou que o presidenciável “é o que de pior pode haver para o Brasil”.

Paulo Mota, assessor especial da Presidência do BNB e mediador da mesa, citando o exemplo do hype em torno do Second Life quando do seu lançamento, perguntou para Juliano Spyer qual futuro ele vislumbrava para o Twitter. “Não comparo o Twitter com o Second Life”, disse Spyer, que considera este um produto de marketing, diferentemente do Twitter, que “é a melhor expressão da Internet hoje”.

Posso estar enganado, mas senti que tanto Mota quanto Spyer menosprezaram o Second Life. É bom lembrar que o Second Life não está morto, muito pelo contrário. Chris O´Brien, inclusive, escreveu recentemente sobre como o Twitter pode aprender com o Second Life.

Para encerrar, perguntado sobre se o marketeiro do Obama conseguirá repetir no pleito de 2010, com o candidato do Partido dos Trabalhadores, o sucesso que teve com o presidente estadunidense, Spyer respondeu:

Da necessidade de ler (e colaborar) com o adote um parágrafo

setembro 21st, 2009 § 0

Adote

Domingo passado (13), através de uma tuitada do Juliano Spyer, conheci o Adote um parágrafo. No ar desde Março, o projeto visa traduzir textos sobre comunicação e internet de forma colaborativa. Uma ideia simples e eficiente.

Um texto, por exemplo, como Jornais e pensando o impensável, de Clay Shirky, que versa sobre a crise dos jornais é leitura obrigatória para quem se interessa pelo futuro do Jornalismo. A imprensa “mata-cerrada” e o futuro das notícias, de Steven Johnson, não possui a mesma qualidade, mas vale pelo destaque que o autor concede ao papel do Jornalismo hiperlocal no futuro.

Até o momento existem catorze textos disponíveis no site. E se você arranha no inglês pode colaborar com A História Social do MP3, que está sendo traduzido atualmente.

Agora, com licença que vou ler O que é aprendizado em uma cultura participativa? Parte 2

Semana em revista (12-19/07/2009)

julho 19th, 2009 § 0

Jovens não leem mais jornais?

Domingo passado o Financial Times disponibilizou (aqui em pdf) uma análise de mídia realizada por um garoto de 15 anos para o banco Morgan Stanley. O britânico Matthew Robson diz que ele e seus amigos não leem jornais, não escutam rádio e não veem muito sentido no Twitter. O texto foi fortemente repercutido e corroborado. Todavia, não podemos perder de vista que Robson apenas descreve os hábitos de um grupo de amigos que moram em Londres. Ou seja, não podemos generalizar. Várias de suas observações não se aplicam a outras realidades. Por exemplo:

Será a salvação dos jornais?

Semana passada rolou um burburinho de que NYTimes irá cobrar cerca de US$ 5/mês para aceder a todo o conteúdo do site. Logo em seguida Joshua Benton, diretor do Nieman Journalism Lab, escreveu um ótimo artigo defendendo que, se é para cobrar, que cobre logo 10, 15 dólares. Na terça-feira (16) foi a vez de Lionel Barber, editor do Financial Times, afirmar que no prazo de um ano quase todos os veículos de comunicação irão cobrar por seu conteúdo online. Caso Barber esteja certo, esta política vai de encontro com a teoria defendida por Chris Anderson no seu mais recente livro, Free.

Mark Zuckerberg

A semana foi de alegria para Mark Zuckerberg e de preocupação para alguns usuários do Facebook. Na quarta-feira (15), a rede social alcançou a incrível marca de 250 milhões de usuários (fosse um país, o Facebook seria o quarto mais populoso do mundo). Já na sexta, a maior rede social do mundo trouxe um anúncio “Hot single” com a foto da esposa de um usuário. No Canadá, onde um terço da população usa o serviço, o governo afirmou que o Facebook viola os direitos de privacidade dos usuários, uma vez que o site armazena informações sobre os usuários mesmo após esses terem encerrado suas contas.

“Blogs are Back!”

Echo promete agregar na caixa de comentários todas as conversações/comentários/reações (twitter, digg, facebook, friendfeed, outros blogs, o escambau) que o artigo do seu blog gerar, e em tempo real. Promissor. A conferir.

Fotos: KellyB., pfala e Oscar Espiritusanto

Notas sobre o último mês

julho 13th, 2009 § 0

Apesar de não escrever há mais de um mês, mantive-me atualizado. Acompanhei todo o imbróglio acerca do blog da Petrobras (iniciativa que agora vai ser largamente copiada). Vi que nos Estados Unidos o Twitter está estreitando a relação entre os esportistas e seus fãs, e que aqui seguimos na mesma direção. São pilotos, treinadores e até presidente de clube usando o serviço.

Twitter do Senador Inácio Arruda

Alguns políticos também aderiram à moda. É fato que certos ainda não entenderam bem a proposta da ferramenta (assim como algumas subcelebridades), é do caso o Senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) que, ou sofre de esquizofrenia ou acha que é o próprio Pelé.

Um site de fofocas deu o furo da década. E todos o citaram. Uma semana antes Gay Talese, que foi o segundo tema mais comentado do último mês, concedia uma entrevista à revista Veja onde dizia:

As pessoas vão sempre precisar de notícia e informação. Sem informação não se administra um negócio, não se vende ingresso para o teatro, não se divulga uma política externa. Todos os dias, nos jornais das cidades grandes ou pequenas, repórteres vão à rua para fazer o que não é feito por mais ninguém.

E, na revista Época, desenvolveu:

Alguém precisa levantar a bunda da cadeira e ir para a rua. O bom jornalismo é feito na rua. (…) A minha concepção de jornalismo sempre foi a mesma. É descobrir as histórias que valem a pena ser contadas. O que é fora dos padrões e, portanto, desconhecido. E apresentar essa história de uma forma que nenhum blogueiro faz. A notícia tem de ser escrita como ficção, algo para ser lido com prazer. Jornalistas têm de escrever tão bem quanto romancistas.

Capa d'O Povo

Nesta segunda, O Povo trouxe uma bela matéria denunciando abusos de oficiais do Ronda do Quarteirão. O tema foi um dos mais replicados no Twitter e o site (até o momento em que escrevo) conta com quase duzentos comentários.

Ou seja (e lá vou eu chover no molhado novamente), o que está “matando” os jornais são os releases, as matérias frias, o agendamento, etc. São textos como esse do Demitri Túlio e do Cláudio Ribeiro que não deixam o jornalismo morrer. O bom jornalismo agradece.

****

Devido a eminência da monografia, este espaço continuará com escassas atualizações. Todavia, o twitter e o friendfeed seguem em pleno vapor.

Da dificuldade de usar o hipertexto

maio 15th, 2009 § 3

Times Extra

Entendo a objeção que alguns jornalistas experientes possuem em ‘linkar’ conteúdo de outros veículos, afinal, aprenderam que precisam fidelizar o leitor e citar o concorrente é visto como disparate, erro passível de demissão por justa causa. Que o NY Times use links para conteúdo dos concorrentes, com a finalidade de agregar valor à notícia, e, pasmem, fidelizar o leitor, é exceção, visto como “outra realidade”.

Agora, não entendo é o jornal não usar hipertexto nem para o próprio conteúdo. Hoje O Povo traz um artigo do jornalista Plínio Bortolotti onde “rebate os argumentos do cineasta Rosemberg Cariry“, que teve um texto publicado no jornal na segunda-feira passada. Ingênuo que sou, achava que na página do artigo do Plínio teria o hipertexto (com link de novo que é para fixar) para o artigo do Cariry. Ainda não foi desta vez.

Como o Plínio é um jornalista, embora “jurássico”, descolado (possui blog e twitter), sugiro que ele repasse este texto para redação d’O Povo. Como o autor frisa logo no início, “este não é um pensamento novo, mas sinto que precisa ser dito novamente.”

I, o novo jornal português

maio 7th, 2009 § 6

I

Aparentemente, a Solormedia não lê jornais. O grupo editoral luso lançou nesta quinta-feira um novo jornal em Portugal. Em meio a uma grave crise financeira e a incerteza que ronda os jornais impressos, eis que surge i. O editorial aponta o objetivo.

Antes, uma explicação: o i acredita que a informação vale dinheiro. Mas reconhece que ninguém paga para conhecer o que já sabe. Quando há tempos um avião usou o rio Hudson como pista de aterragem, a proeza do piloto entrou-me no carro por SMS. Não tinha o rádio ligado. Não era preciso. A informação é viral. É um vírus bom, e o i sabe que este novo jornalismo exige que ela seja organizada de maneira diferente. Sabe que os leitores, na verdade, não querem papel dividido em pesadas secções de política, economia ou cultura. Ou o online a cuspir informação inútil a cada segundo. Querem ler o que interessa, o que de melhor e mais relevante se passa no mundo à sua volta: e por isso este projecto implode as secções tradicionais dos jornais, tal como o online desarruma a organização clássica dos sítios web.

(…)

O i quer devolver a agressividade que os jornais diários perderam, a profundidade que os semanários esqueceram e a sofisticação que as revistas procuram. Na verdade, o i acredita que num instante tudo muda e sabe que quem agora ler assim não lerá mais como antes. Não há inimigos nem concorrência. Há uma paixão imensa pela informação e uma equipa preparada para suar. Seja bem-vindo a este mundo novo.

Gostei bastante do site. Simples, limpo e informativo. As redes sociais estão presentes (o jornal possui conta no Blip.fm, Facebook, Flickr, Twitter e Youtube) e o canal de vídeos parece promissor.

A acompanhar.

The Auteurs, cinema em casa

maio 6th, 2009 § 0

The Auteurs

Rená Tardin, sempre ele, apresentou-me The Auteurs. À primeira vista, é de encher os olhos. Reúne milhares de clássicos do cinema mundial, além de disponibilizar lançamentos que acabaram de participar dos festivais mais badalados do mundo. Nada de torrents, vemos tudo online, via streaming. Aqui temos uma demostração da qualidade dos vídeos.

O site também é uma rede social. Você cria sua filmoteca, avalia e resenha filmes, fica sabendo os longas que seus amigos assistiram e ainda pode participar de fóruns. O acesso a boa parte do acervo – principalmente aos clássicos – é gratuito, pelo menos para os EUA.

No Brasil, até momento, apenas 140 títulos estão disponíveis, custando entre 1 e 3 dólares pela visualização. O problema nem é o preço em si, mas a falta de fitas interessantes.

Ainda assim, é uma iniciativa que merece ser acompanhada de perto.

Mera Coincidência (Wag the Dog, 1997)

abril 22nd, 2009 § 6

Wag the Dog

Nesse feriado revi Mera Coincidência (Manobras na Casa Branca, em Portugal) para um trabalho da faculdade. Conhecido como o filme que antecipou o caso Monica Lewinsky, o longa de Barry Levinson é um pouco mais do que apenas um caso de “vida que imita a arte”. Detentor do título de um dos três filmes mais exibidos nos cursos de Jornalismo (juntamente com Cidadão Kane e A Montanha dos Sete Abutres), Mera Coincidência pode não empolgar os espectadores em geral, mesmo com seu ótimo roteiro e a boa interpretação de Dustin Hoffman, mas é um prato cheio para quem trabalha com comunicação.

O filme explora com sabedoria um ponto exaustivamente abordado pelos teóricos da comunicação: a ficcionalização dos conteúdos informativos. “Os jornais querem algo inesperado? Inventamos uma guerra com a Albânia. Querem imagens de encher os olhos? Criamos uma fuga com efeitos especiais. Querem um herói de guerra? Nós produzimos”, nos dizer o produtor de Hollywood interpretado por Hoffman.

Nesse sentido, o factóide mais bem produzido no Brasil talvez ainda seja o “Caçador de Marajás”.

Por que mais show e entretenimento e menos informação e interpretação? As razões são variadas, mas gostaria de ater-me em uma: o afã do furo. Sérgio Augusto já afirmou que, quando a Folha de S. Paulo elevou a Ilustrada ao patamar dos cadernos de Política e Economia, no fim da década de 1980, o “frenesi do furo” pasteurizou os cadernos de cultura dos grandes jornais.

Conferir à cultura o mesmo status jornalístico da política e da economia foi, sem dúvida, um avanço, mas algumas deformações ocorreram, ao longo do processo, nenhuma tão lamentável quanto o desatinado culto ao furo, à primeira mão, à exclusividade, que na maioria dos segundos cadernos vicejou. Os editores de cultura e amenidades não se preocupam mais em dar bem um assunto em seus cadernos; sua única e obsessiva preocupação é dar antes o que quer que seja, é “furar o concorrente”, como se um novo livro de Rubem Fonseca ou um novo disco de Caetano fosse uma novidade tão importante para a vida da população quanto a notícia de mais um plano econômico do governo ou a descoberta de uma falcatrua no sistema bancário.

A atual culto ao denuncismo está fazendo o mesmo com a Política. Os jornalistas, com medo de ficarem atrás da concorrência, noticiam primeiro para verificar depois, como bem observa Ricardo Kotscho.

Hoje, é fácil. As denúncias muitas vezes chegam prontas para os jornalistas – em forma de dossiês, fitas, listas, como um serviço de delivery.

Em geral, primeiro denunciam para só depois checar a veracidade do que foi publicado – mais ou menos como o policial que primeiro atira para depois pedir documentos.

Esperavasse que com o imediatismo da Internet, os furos (e barrigadas) fossem noticiados primeiro no online, enquanto que as versões impressas teriam maior acuro com as reportagens: verificação intensa dos dados e mais análise e interpretação. Até o momento, não é bem isso que estamos vendo.

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