A estação de Restauradores e a pintura abstracionista geométrica (?) de Nadir Afonso

agosto 2nd, 2008 § 0

Nadir Afonso

Duas estações de metrô são muito requisitadas pelos estrangeiros aqui em Lisboa. A Baixa-Chiado é mais procurada pelos gringos que estão férias. Já Restauradores, por sua vez, é solicitada por quem precisa regularizar sua situação em Portugal. Sendo o centro da cidade na Baixa-Chiado, vivo naquela estação; em Restauradores quase nunca tinha parado.

Como vou ficar mais um semestre estudando na Universidade Nova de Lisboa tive que tirar um cartão de residência. Após passar algumas horas no SEF fiquei mais um bom tempo esperando o metrô. Foi lá que conheci a arte de Nadir Afonso. Confira algumas de suas obras que adornam a estação:

A Paris de Afonso

A Moscou de Afonso

A Nova Iorque de Afonso

A Madrid de Afonso

O Rio... ah, você já entendeu!

Afonso, pelo o que leio, quis “expressar, mediante representações simbólicas, uma homenagem de Lisboa às demais capitais metropolitanas”. Nobre projeto, todavia, mesmo sabendo tratar-se de “representações simbólicas”, fiquei com a sensação de que se os painéis não tivessem nome poderiam ser QUALQUER COISA. E você?

Ele dá, e você?

abril 15th, 2008 § 0

Encontrado nos corredores da FCSH.

Tu também vais dar?

Na Meia-Maratona de Lisboa também tinha uma ótima: “Liberta o queniano que há em ti”, diziam os outdoors de uma bebida energética. Não sei, mas algo me diz que essas propagandas não estarão em Cannes 2008.

Da arte européia de fumar

março 23rd, 2008 § 0

Paixão européia

Vários filmes, principalmente os noir, possuem no cigarro um elemento fundamental da trama. Filmes como Casablanca, O Falcão Maltês, Gilda e Uma Rua Chamada Pecado são bons exemplos do que o cigarro pode representar em cena. Apesar de ter essa imagem glamourizada no meu imaginário, quando via pessoas em Fortaleza fumando, dificilmente encontrava alguma característica que me lembrasse a sotifiscação, a elegância ou a sensualidade das personagens dos filmes hollywoodianos.

Em Lisboa é completamente diferente. A começar pelo número de fumantes. Em 2004, uma pesquisa apontou que um terço da população portuguesa fuma. É fácil comprovar esses dados ao andar pelas ruas daqui. Em todas as esquinas encontramos duas, três pessoas fumando antes de voltar ao trabalho. Mas, se entre os adultos a prática é recorrente, é entre os jovens, principalmente as moças, que o cigarro prepondera. Na Universidade Nova de Lisboa é difícil achar uma garota que não fume. E, com tantas pessoas fumando, não é complicado você encontrar alguém que realmente sabe fumar. Ou melhor, alguém que fume como nos filmes de Hollywood. Alguém onde o início do cigarro e final da mão é imperceptível tal a interação entre as partes. Alguém que segure o cigarro como se fosse uma extensão da sua mão. Alguém que fume saboreando cada tragada como se aquela fosse a última. Alguém que solte a fumaça como se estivesse exalando um perfume de sonhos. Alguém que sabe o que está fazendo e demonstra imenso prazer em fazê-lo. É, definitivamente as européias sabem fumar.

Foto do Flickr de Lips Vago

Primeiras impressões da Universidade

março 19th, 2008 § 0

FSCH-UNL

Não sou o que se pode chamar de otimista, muito pelo contrário. Também não sou de criar muitas expectativas em relação a algo ou alguém, mas confesso que estou decepcionado com a Universidade Nova de Lisboa. Dia 25 de fevereiro começaram as aulas. Fui procurar as cadeiras nas quais havia me inscrito, mas fico sabendo que três delas não serão ministradas nesse semestre. Eu não ficaria tão chateado com a surpresa caso a senhora encarregada dos assuntos internacionais não tivesse dito que estava tudo ok quando mandei um e-mail, ainda em Fortaleza, perguntando exatamente sobre isso.

Fui atrás de incluir novas cadeiras e percebi que algumas delas possuem dois horários seguidos. Ciberjornalismo, por exemplo, começa às 10h e vai até 14h. Apesar de recear morrer de fome (e de tédio) inclui duas cadeiras assim. Uma delas, Fotografia, é segunda-feira, mas o professor faltou no dia. Assim como o de Teoria da Notícia, Ciberjornalismo e Atelier em Jornalismo. Resumo da ópera: na primeira semana tive uma “aula”, a apresentação da cadeira de Filmologia: programa da disciplina, como serão as avaliações (aqui eles chamam de freqüência), suas respectivas data, etc.

Primeira semana de aula, pensei, boas-vindas, muitos alunos mudando as disciplinas, na segunda semana a figura deve mudar. Fico sabendo que o Nelson Traquina, que ministra Teoria da Notícia, está hospitalizado e faltará a semana toda. Em Fotografia o professor chegou trinta minutos atrasado, apresentou a disciplina, tal qual o professor de Filmologia, e foi embora. O mesmo procedimento foi adotado em todas as disciplinas. Com duas semanas de aula eu havia tido duas aulas, ambas de Filmologia.

Tá fazendo falta...

Semana passada finalmente tive aulas regulares, embora as duas com jornada dupla durem bem menos do que as quatro horas propostas. O problema é que a Universidade deu um recesso de DUAS SEMANAS para as comemorações da Semana Santa. Só vou ter aula de novo dia 31 de março. Estou ficando mal acostumado.

Fotos de Lucas Sampaio e Rubens Carvalho

Passeio pelos cinemas de Lisboa

março 9th, 2008 § 0

Alvaláxia

Minha primeira preocupação ao chegar ao alojamento foi saber qual era a sala de cinema mais perto. Não sei se vocês sabem mas estou morando ao lado do estádio do Sporting, o Alvaláxia. Lá existem 15 salas de cinema. Disseram-me que a inteira era € 5,20. Achei barato e fui conferir. O que não me contaram é que aqui não existe meia. Há apenas um desconto para estudantes. Acabei pagando € 4,20. As salas não são nada demais, as do Iguatemi não ficam devendo em nada as do Alvaláxia. Exceção feita à sala 11, que é tão ruim que não dá nem para comparar. Segundo o Rená, um dos milhares brasileiros que moram no alojamento, e que foi assistir Sweeney Tood, a sala é minúscula. “Aquilo não é uma tela de cinema. É brincadeira. É a menor sala que eu já vi”.

Um filme por semana é muito pouco

Como não tenho € 4,20 para gastar com freqüência tive que procurar opções mais compatíveis com a minha condição de estudante-brasileiro-que-não-tem-onde-cair-morto. Descobrimos que existia um cineclube na Universidade Nova de Lisboa. As sessões ocorrem todas as terças-feiras, às 21h30. Pensei que fosse gratuito, mas tive que pagar € 5,00 por uma carteirinha de sócio. A vantagem é que com ela posso assistir a todos os filmes de 2008 de graça. O longa de terça passada foi Stranger than Paradise, de Jim Jarmusch. Um filme despretencioso e delicioso. Recomendo!

Viva a Cinemateca!

Gostei bastante do cineclube, mas cinema uma vez por semana é pouco demais. A busca continuou e achamos a Cinemateca Portuguesa. São cerca de 5 filmes por dia e, o mais importante, por € 2 para estudante. Fiquei apaixonado. Já fui duas vezes. Assisti o noir Kiss Me Deadly, de Robert Aldrich, e o confuso Level Five, de Chris Marker, que foi precedido pelo excelente documentário Nuit et Brouillard, de Alain Resnais (retornarei a essas películas em outra ocasião). O documentário de Renais, que é em francês, foi exibido com legendas em inglês e, o mais impressionante, em plena 19h de uma quinta-feira a sala tinha, por baixo, 75 pessoas. Acho que encontrei minha segunda casa. Pelo menos até encontrar uma forma de ir para o cinema de graça.

Babel

fevereiro 28th, 2008 § 0

Ia falar sobre as aulas na Universidade Nova de Lisboa, mas como os professores ainda não apareceram, vamos falar dos sotaques do alojamento.

Residência do Lumiar 1

Em um ambiente em que há três polacas, duas húngaras, um alemão, um grego, um ucraniano, um angolano, uma chinesa, um búlgaro, uma filandesa, uma romena, um italiano, dois espanhóis e uma caribenha o sotaque predominante é… brasileiro. São DOZE tupiniquins: três paulistas, dois fluminenses, um mineira, uma baiana, uma catarinense, um potiguá, um pernambucano e, acreditem ou não, dois cearenses.

Residência do Lumiar 2

Segundo o presidente do alojamento, o angolano Jacob, ainda faltam chegar quase a metade dos Erasmus, mas não acredito que o panorama vá mudar muito.

Residência do Lumiar 3

Ah, um detalhe. TODOS os brasileiros que fazem graduação estão cursando Jornalismo. Entre eles o Lucas Sampaio, fotógrafo oficial do alojamento, de quem eu surrupiei essas fotos.

Where Am I?

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