
Nesse carnaval fui esquadrinhar os livros que meu pai havia adquirido no hiato em que passei fora de casa. A descoberta mais interessante foi Chibata! João Cândido e a Revolta Que Abalou o Brasil, de Hemetério (desenhos) e Olinto Gadelha (roteiro). Primeiro porque era uma história em quadrinhos (e desde que Bane deixou o Batman aleijado que meu pai não comprava uma), depois porque a graphic novel é excelente e, finalmente, porque os autores são cearenses.
Entrei em contato com Hemetério e o convidei para bater um papo. Boa praça que é, aceitou de cara. Para os que não conhecem a figura seguem algumas informações.
Hemetério nasceu em 1971, em Fortaleza. Formado em arquitetura, trabalha mesmo como ilustrador e designer. Antes de Chibata!, já havia publicado dois livros: Desenhos (1993) e Garatujas (2004). Desde de 2005 alimenta um blog e, mais recentemente, criou uma conta no twitter. É de autoria de Hemetério o famoso texto “Quando os cearenses dominarem o mundo!“, que em 2006 percorreu centenas de correios eletrônicos feito spam.
Em Maio do ano passado, Hemetério ganhou o primeiro lugar na categoria cartum no 19º Salão Carioca de Humor com este desenho.


Em Outubro de 2008 lança Chibata! João Cândido e a Revolta Que Abalou o Brasil, juntamente com Olinto Gadelha. O livro, obviamente, fala da Revolta da Chibata, que ocorreu em 1910 e, ainda hoje, é pouco conhecida. A graphic novel recebe matérias elogiosas e, em Janeiro de 2009, ganha o título de melhor história em quadrinhos publicada no Brasil em 2008.
Chibata! traz ainda deliciosos easter eggs, como as participações especiais de Quintino Cunha, Santos Dumont, Bob Esponja, a Praça do Ferreira, naves de Guerra nas Estrelas e até dos próprios autores (imagem ao lado).
Como nunca havia gravado uma conversa no computador, o resultado não é assim uma brastemp (e seria bem pior se não fosse o auxílio inestimável do Wagner Brito), mas dá para acompanhar. E, em seguida, a bela música que Aldir Blanc e João Bosco compuseram para o Almirante Negro.
Bate-papo com Hemetério
O Mestre-Sala dos Mares

Adoro assistir filmes que já vi. Perdi a conta de quantas vezes revi O Poderoso Chefão, Indiana Jones e a Última Cruzada, Tempos Modernos, Perfume de Mulher, De Volta para o Futuro, Laranja Mecânica, Notting Hill, entre outros. Cada nova visita uma nova descoberta, um detalhe que havia passado desapercebido na vez anterior. Amnésia, nesse aspecto, é um filme singular. Já mudei minha opinião sobre a índole do protagonista, Leonard, umas quatro vezes. Assim como na literatura, os bons filmes permitem que cada espectador faça uma leitura diferente da obra.

Essa semana vi The Dark Knight. Mesmo com sua câmera carrosel, uma Rachel Dawes (assim como a anterior) sem sal e um Duas-Caras meia-boca, gostei muito do filme. Cenas como a que o Coringa conta como conseguiu suas cicatrizes; a que ele explode um hospital; ou quando faz seu discurso final já valem o ingresso. Sim, o filme vale pela personagem de Heath Ledger. O longa perde bastante em densidade e energia quando o Coringa não está em cena.
Lendo resenhas acerca do filme, vi uma do sempre pertinente Inácio Araújo. Segue o trecho que mais me interessou:
“Essa fabulação tem um fim político preciso, i. é: combater o mal absoluto tem um custo, que consiste em viver nas sombras. Esse é o preço pago por Batman, mas, se formos pensar bem, há um outro personagem atual que pode reivindicar tal papel, e atende por George W.”
E conclui:
“Dizem que este é o Batman de Frank Miller (e o Coringa também). Talvez seja isso mais que tudo. Aquele ‘Sin City‘ já era isso e não engoli de jeito nenhum. É um investimento no pior, na baixeza, na podridão.”
“Resumindo minha impressão, o novo Batman é chato, ruidoso e reacionário.”

Essa leitura política da película lembrou-me outra resenha que vi dias desses, de Fábio de Oliveira Ribeiro, publicada no Observatório da Imprensa, acerca do Incrível Hulk.
“No Brasil, Banner é perseguido pelos corredores da favela da Rocinha. Quando chega aos EUA, o personagem é obrigado a fugir através dos corredores de uma belíssima universidade. É evidente que os livros simbolizam a civilização. Os barracos, por sua vez, representam a barbárie. Assim, é impossível não fazer duas perguntas. No Brasil há favelas porque não existem livros? Nos EUA não existem favelados por causa das bibliotecas?”
Mais adiante:
“Banner, o norte-americano, não desejava o poder que adquiriu e passa o tempo todo tentando se livrar dele. Já o soldado de origem russa faz qualquer coisa para adquirir condições de confrontar Hulk. Quando consegue o que deseja, o monstro russo ataca indiscriminadamente as pessoas nas ruas de New York. Em razão disto, o bom moço aceita o sacrifício de libertar o Hulk para defender a população.”
Interessantes e válidas leituras. Contudo, em ambos os casos, fico com a sensação daqueles discursos esquerdistas onde é possível ver a “mão ossuda, peluda e fedorenta do imperialismo” em todos os cantos. Já do outro lado da linha do Equador tem colunista americano (que deve ser considerado pelo Araújo e pelo Ribeiro como “direitista com sentimento de culpa”) dizendo que essa temporada é “do verão da culpa branca”.
Não vejo o Batman como Bush, nem o Coringa como Bin Laden. Todavia, claro, é possível achar argumentos que validem essa teoria. Como qualquer outra. Entrando no jogo, se fosse para enviesar pela política norte-americana diria que o Batman (que trabalha nas trevas) seria a encarnação de Dick Cheney e Harvey Dent o Barack Obama (depositário de toda a confiança e esperança da população e que no fim…).
Será que o Departamento de Estado Americano interfere em todos os blockbusters? Será que nada é gratuito, tudo é político, possui uma mensagem cifrada e eu que estou sendo ingênuo demais? Será que se esses mesmos filmes fossem espanhóis, franceses ou mesmo ingleses, eles teriam por parte da crítica essa mesma leitura?
E você, que leitura fez de Hulk e Batman?
Vocês estão lembrados desse moleque aí do lado? Ele se chama Thomas Sangster e atuou em Simplesmente Amor e, mais recentemente, em A Última Legião. Pois bem, ele será o repórter belga Tintin na triologia produzida por Steven Spielberg e Peter Jackson. Acho Sangster muito novo para o papel, embora ele já tenha seus 17 anos. Todavia, o que mais me chamou a atenção na notícia foi o fato de que a película, que começa a ser rodada já no segundo semestre, muito provavelmente será filmada com a tecnologia de captura de movimento. Não gosto dessa técnica e temo que o resultado acabe por ficar abaixo das expectativas. Vamos torcer para que Steven, Jack e a DreamWorks mudem de idéia antes do início das filmagens.

Sempre assisti muitos desenhos animados. Passava horas diante da televisão, zapeando à procura do próximo desenho. Assistia de tudo, não era muito seletivo nem muito exigente, mas poucos, pouquíssimos mesmo, faziam-me anseiar o próximo episódio como Tintin. O jornalista belga foi uma das personagens mais interessantes e ricas dos desenhos que já vi. Todavia, fazem séculos que não assisto um episódio de Tintin e é por isso que a notícia de que Steven Spielberg vai dirigir a primeira película do personagem criado por Georges Remi fez despertar em mim toda a euforia e alegria de ver um novo episódio. E mais: será uma triologia, assinada por Spielberg e Peter Jackson. Torçamos para que eles tenham sucesso ao transportar o universo do desenho (e dos quadrinhos) para a tela grande.
Foto do Flickr de Chiwi
Via 20minutos