Entrevista com Hemetério

março 1st, 2009 § 0

Abaixo a Chibata!

Nesse carnaval fui esquadrinhar os livros que meu pai havia adquirido no hiato em que passei fora de casa. A descoberta mais interessante foi Chibata! João Cândido e a Revolta Que Abalou o Brasil, de Hemetério (desenhos) e Olinto Gadelha (roteiro). Primeiro porque era uma história em quadrinhos (e desde que Bane deixou o Batman aleijado que meu pai não comprava uma), depois porque a graphic novel é excelente e, finalmente, porque os autores são cearenses.

Entrei em contato com Hemetério e o convidei para bater um papo. Boa praça que é, aceitou de cara. Para os que não conhecem a figura seguem algumas informações.

Hemetério nasceu em 1971, em Fortaleza. Formado em arquitetura, trabalha mesmo como ilustrador e designer. Antes de Chibata!, já havia publicado dois livros: Desenhos (1993) e Garatujas (2004). Desde de 2005 alimenta um blog e, mais recentemente, criou uma conta no twitter. É de autoria de Hemetério o famoso texto “Quando os cearenses dominarem o mundo!“, que em 2006 percorreu centenas de correios eletrônicos feito spam.

Em Maio do ano passado, Hemetério ganhou o primeiro lugar na categoria cartum no 19º Salão Carioca de Humor com este desenho.

Burca

Olinto (esq.) e Hemetério também estão em "Chibata!"

Em Outubro de 2008 lança Chibata! João Cândido e a Revolta Que Abalou o Brasil, juntamente com Olinto Gadelha. O livro, obviamente, fala da Revolta da Chibata, que ocorreu em 1910 e, ainda hoje, é pouco conhecida. A graphic novel recebe matérias elogiosas e, em Janeiro de 2009, ganha o título de melhor história em quadrinhos publicada no Brasil em 2008.

Chibata! traz ainda deliciosos easter eggs, como as participações especiais de Quintino Cunha, Santos Dumont, Bob Esponja, a Praça do Ferreira, naves de Guerra nas Estrelas e até dos próprios autores (imagem ao lado).

Como nunca havia gravado uma conversa no computador, o resultado não é assim uma brastemp (e seria bem pior se não fosse o auxílio inestimável do Wagner Brito), mas dá para acompanhar. E, em seguida, a bela música que Aldir Blanc e João Bosco compuseram para o Almirante Negro.

Bate-papo com Hemetério

O Mestre-Sala dos Mares

Algumas charges

agosto 15th, 2008 § 0

A seguir algumas charges, caricaturas, cartuns (nunca consegui diferenciar bem esses gêneros) de dois excelentes cartunistas sul-americanos.

O argentino Ricardo Siri Liniers (site e blog)…

AutoLiniers 1

AutoLiniers 2

AutoLiniers 3

e o cubano Osmani Simanca (blog)

Simanca 1

Simanca 2

Simanca 3

Hulk, Batman e a manipulação da realidade

julho 27th, 2008 § 0

Leonard, mocinho ou bandido?

Adoro assistir filmes que já vi. Perdi a conta de quantas vezes revi O Poderoso Chefão, Indiana Jones e a Última Cruzada, Tempos Modernos, Perfume de Mulher, De Volta para o Futuro, Laranja Mecânica, Notting Hill, entre outros. Cada nova visita uma nova descoberta, um detalhe que havia passado desapercebido na vez anterior. Amnésia, nesse aspecto, é um filme singular. Já mudei minha opinião sobre a índole do protagonista, Leonard, umas quatro vezes. Assim como na literatura, os bons filmes permitem que cada espectador faça uma leitura diferente da obra.

A Piada Mortal

Essa semana vi The Dark Knight. Mesmo com sua câmera carrosel, uma Rachel Dawes (assim como a anterior) sem sal e um Duas-Caras meia-boca, gostei muito do filme. Cenas como a que o Coringa conta como conseguiu suas cicatrizes; a que ele explode um hospital; ou quando faz seu discurso final já valem o ingresso. Sim, o filme vale pela personagem de Heath Ledger. O longa perde bastante em densidade e energia quando o Coringa não está em cena.

Lendo resenhas acerca do filme, vi uma do sempre pertinente Inácio Araújo. Segue o trecho que mais me interessou:

“Essa fabulação tem um fim político preciso, i. é: combater o mal absoluto tem um custo, que consiste em viver nas sombras. Esse é o preço pago por Batman, mas, se formos pensar bem, há um outro personagem atual que pode reivindicar tal papel, e atende por George W.”

E conclui:

“Dizem que este é o Batman de Frank Miller (e o Coringa também). Talvez seja isso mais que tudo. Aquele ‘Sin City‘ já era isso e não engoli de jeito nenhum. É um investimento no pior, na baixeza, na podridão.”

“Resumindo minha impressão, o novo Batman é chato, ruidoso e reacionário.”

Hulk, arma americana para controlar corações e mentes

Essa leitura política da película lembrou-me outra resenha que vi dias desses, de Fábio de Oliveira Ribeiro, publicada no Observatório da Imprensa, acerca do Incrível Hulk.

“No Brasil, Banner é perseguido pelos corredores da favela da Rocinha. Quando chega aos EUA, o personagem é obrigado a fugir através dos corredores de uma belíssima universidade. É evidente que os livros simbolizam a civilização. Os barracos, por sua vez, representam a barbárie. Assim, é impossível não fazer duas perguntas. No Brasil há favelas porque não existem livros? Nos EUA não existem favelados por causa das bibliotecas?”

Mais adiante:

“Banner, o norte-americano, não desejava o poder que adquiriu e passa o tempo todo tentando se livrar dele. Já o soldado de origem russa faz qualquer coisa para adquirir condições de confrontar Hulk. Quando consegue o que deseja, o monstro russo ataca indiscriminadamente as pessoas nas ruas de New York. Em razão disto, o bom moço aceita o sacrifício de libertar o Hulk para defender a população.”

Interessantes e válidas leituras. Contudo, em ambos os casos, fico com a sensação daqueles discursos esquerdistas onde é possível ver a “mão ossuda, peluda e fedorenta do imperialismo” em todos os cantos. Já do outro lado da linha do Equador tem colunista americano (que deve ser considerado pelo Araújo e pelo Ribeiro como “direitista com sentimento de culpa”) dizendo que essa temporada é “do verão da culpa branca”.

Não vejo o Batman como Bush, nem o Coringa como Bin Laden. Todavia, claro, é possível achar argumentos que validem essa teoria. Como qualquer outra. Entrando no jogo, se fosse para enviesar pela política norte-americana diria que o Batman (que trabalha nas trevas) seria a encarnação de Dick Cheney e Harvey Dent o Barack Obama (depositário de toda a confiança e esperança da população e que no fim…).

Será que o Departamento de Estado Americano interfere em todos os blockbusters? Será que nada é gratuito, tudo é político, possui uma mensagem cifrada e eu que estou sendo ingênuo demais? Será que se esses mesmos filmes fossem espanhóis, franceses ou mesmo ingleses, eles teriam por parte da crítica essa mesma leitura?

E você, que leitura fez de Hulk e Batman?

Garoto de Simplesmente Amor será Tintin no cinema

março 25th, 2008 § 0

Ansioso para ver o resultado finalVocês estão lembrados desse moleque aí do lado? Ele se chama Thomas Sangster e atuou em Simplesmente Amor e, mais recentemente, em A Última Legião. Pois bem, ele será o repórter belga Tintin na triologia produzida por Steven Spielberg e Peter Jackson. Acho Sangster muito novo para o papel, embora ele já tenha seus 17 anos. Todavia, o que mais me chamou a atenção na notícia foi o fato de que a película, que começa a ser rodada já no segundo semestre, muito provavelmente será filmada com a tecnologia de captura de movimento. Não gosto dessa técnica e temo que o resultado acabe por ficar abaixo das expectativas. Vamos torcer para que Steven, Jack e a DreamWorks mudem de idéia antes do início das filmagens.

Filme de Tintin será dirigido por Spielberg

março 18th, 2008 § 0

Um dos melhores desenhos desde sempre!

Sempre assisti muitos desenhos animados. Passava horas diante da televisão, zapeando à procura do próximo desenho. Assistia de tudo, não era muito seletivo nem muito exigente, mas poucos, pouquíssimos mesmo, faziam-me anseiar o próximo episódio como Tintin. O jornalista belga foi uma das personagens mais interessantes e ricas dos desenhos que já vi. Todavia, fazem séculos que não assisto um episódio de Tintin e é por isso que a notícia de que Steven Spielberg vai dirigir a primeira película do personagem criado por Georges Remi fez despertar em mim toda a euforia e alegria de ver um novo episódio. E mais: será uma triologia, assinada por Spielberg e Peter Jackson. Torçamos para que eles tenham sucesso ao transportar o universo do desenho (e dos quadrinhos) para a tela grande.

Foto do Flickr de Chiwi
Via 20minutos

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