Parlez Moi d’Amour, The Red Race, El Sastre, All White in Barking e Afterschool

outubro 28th, 2008 § 0

Em Outubro o mundo inteiro cabe em Lisboa

Após uma pausa para recuperar as forças da maratona de filmes, seguimos com rápidos comentários sobre os filmes que vi no Festival.

Parlez Moi d’Amour (Tell Me About Love), de Alexia Bonta. **

Competição Internacional Curtas

Em um hospital, duas velhas falam sobre amor. Apesar de estarem à beira da morte, relembram antigos amores com muita vivacidade e altas doses de humor. Discorrem também sobre o presente com sobriedade e austeridade. Curto – conta apenas com 14 minutos -, o filme deixa a platéia com um gostinho que quero mais. Melhor assim.

Faz-se necessário um parêntese sobre a diretora. Aos 26 anos, a debutante Alexia, com toda sua timidez e charme, ganhou, de longe, na opinião deste humilde escriba, o prêmio de musa do Festival. Infelizmente não consegui tirar uma foto decente da belga e na internet achei apenas esta, que não condiz com toda sua beleza. De qualquer forma fica aqui o registro.

The Red Race, de Chao Gan. ***

Competição Internacional

Não sei quantas medalhas a China levou em ginástica nestas Olimpíadas, contudo sei que não foram poucas. Fico sempre impressionado com aqueles pequenos notáveis desafiando as leis da gravidade. A fabricação desses prodígios é o tema do pertinente documentário de Gan. São crianças de 4, 5, 6 anos de idade sendo submetidas a treinamentos desumanos. Durante uma hora vemos meninos e meninas serem xingados, humilhados e até espancados por treinadores que não fariam feio frente ao Sargento Hartman, de Full Metal Jacket. E a pressão para tornarem-se grandes atletas e ganharem medalhas transpõem o ginásio. Pais e mães fazem uma lavagem cerebral nessas pobres crianças. Fiquei imaginando como eram os treinamentos na ex-União Soviética.

No Youtube existe um vídeo de dez minutos do longa. O problema é que é dublado em espanhol, tem narração e musiquinha sentimentalóide. Enfim, serve como um péssimo convite para assistir ao bom The Red Race. Todavia, como acho que o acesso ao filme será difícil, fica a sugestão.

El Sastre (The Tailor), de Óscar Perez ***

Competição Internacional Curtas

Mohamed é um emigrado paquistanês que trabalha em um dos bairros mais pobres de Barcelona como alfaiate. Singh é seu ajudante. Acompanhamos a conflituosa relação patrão-empregado e empresa-cliente.

Mohamed é um trambiqueiro de mão cheia. Engana os clientes, a Singh e a si próprio. Quando estão sós (mas com a presença da câmera, é óbvio), supondo que o diretor não sabe a língua que estão falando, os migrados desatam a falar do filme e do diretor. Perez, muito espirituoso, aproveita-se disso e faz um curta hilário.

All White in Barking, de Marc Isaacs ****

Competição Internacional

Barking é o subúrbio londrino onde existe a maior incidência de imigrantes na Inglaterra. Susan e Jeff são um casal caucasiano que moram há anos na região e são impelidos pela equipe de filmagem a jantarem com os vizinhos nigerianos. Dave é um conservador que milita pelo partido de extrema-direita, o Partido Nacional Britânico. O judeu Monty é um sobrevivente do Holocausto que mantém uma relação afetuosa com a africana Betty.

O filme faz parte de uma série de seis episódios da BBC chamada White. Com as vantagens (e desvantagens) de ser um produto televisivo, All White in Barking é um excelente documentário sobre a tolerância e a questão do Outro. Isaacs foi muito feliz na escolha do “elenco”, expondo contradições inerentes do preconceito e obtendo ótimas tiradas.

Dave possui aversão a estrangeiros (negros em especial), mas suas filhas namoram afro-descendentes e ele (Dave) possui um neto negro. “É do meu sangue, o que eu posso fazer?”, diz em determinado momento. Monty leva Betty no encontro anual dos sobreviventes do Holocausto. Entre olhares de desaprovação, somos brindados com o discurso mais lúcido do filme. Após o jantar na casa dos nigerianos, Susan (ou foi Jeff? já não me recordo) diz uma frase que é síntese do preconceito dissimulado: “different, BUT enjoyable.” Essa simples palavra faz toda a diferença.

Afterschool, de Antônio Campos

Riscos e Ensaios

Sabe aqueles filmes que lhe escapa? Que você sente que não captou, que não estava na mesma sintonia? Aconteceu isso com Afterschool.

Eis a sinopse: “Robert é um jovem estudante note-americano numa Escola Preparatória de elite situada na Costa Este dos Estados Unidos que filma acidentalmente a morte trágica de duas colegas de turma. Após o acidente, as vidas das alunas são homenagedas através de um projeto audiovisual destinado a sarar rapidamente o luto da comunidade escolar. Além disso Frederick Wiseman quer fazer um documentário sobre o fato. Mas o trabalho em vídeo acaba por gerar um clima de desconforto e alimentar uma atmosfera de paranóia e suspeição entre os estudantes e os professores.”

A estréia do jovem diretor Antônio Campos – 21 anos – é o retrato de uma geração. A dele, a minha. Imagens de celular, Youtube e a própria Internet são personagens do filme. Durante a projeção lembrei de Elephant, de Gus Van Sant. Um filme curioso e incômodo, que merece uma revisita.

We (Wo Men) e Gonzo: The Life and Work of Dr. Hunter S. Thompson

outubro 21st, 2008 § 0

Em Outubro o mundo inteiro cabe em Lisboa

Filmes que vi no sábado, 18.

We (Wo Men), de Huang Wenhai. *

Competição Internacional
Wenhai, sabesse lá como, recebe o prêmio na seção Novos Horizontes, em Veneza.

Durante as Olimpíadas de Pequim 2008 assisti a várias matérias nas quais os repórteres tentavam arrancar uma confissão, um lamento, uma queixa que fosse de algum cidadão chinês acerca do Governo (leia-se Partido Comunista da China). O resultado era quase sempre frustrante, para os repórteres, é claro. Ainda por cima, muitas vezes, os entrevistados aproveitavam a oportunidade para louvar as maravilhas desse Paraíso na Terra que é a China.

O filme de Wenhai, nesse aspecto, é o sonho daqueles repórteres. Durante quase duas horas de projeção, três gerações de chineses descem o pau na atual direção do PCC. O curioso é que a maioria dos entrevistados são intelectuais que já fizeram parte do Governo no passado. Eles falam em montar um novo partido e divulgam suas idéias por blogues. Todavia, com receio de represálias, raramente fazem reuniões físicas e quando os blogues atingem a marca de 1.000 (mil) visitas diárias, eles simplesmente fecham-no e criam outro. Ou seja, efetivamente o poder de oposição deles é praticamente nulo. Eles brincam de fazer oposição e o Governo finge ficar preocupado.

Para além da falácia contestadora do longa, temos um outro problema. Wenhai precisa urgentemente ter umas aulas de edição. Os 102 minutos de projeção parecem intermináveis. Somos torturados sucessivamente com intermináveis monólogos sobre nada relevante. E o pior é que ele afirmou durante o debate que We faz parte de uma trilogia sobre o que o povo chinês pensa sobre o Governo. Que Deus nos proteja.

Gonzo: The Life and Work of Dr. Hunter S. Thompson, de Alex Gibney. ***

Sessões Especiais

Sou suspeito para falar de algo relacionado ao Hunter Thompson. Sou grande fã do cidadão. Seus livros são fabulosos e adorei quando Johnny Depp o interpretou em Fear and Loathing in Las Vegas. Dito isso, vamos as considerações acerca do mais recente filme de Gibney, ganhador do Oscar de Melhor Documentário em 2008 com Taxi to the Dark Side, e diretor do ótimo Enron: The Smartest Guys in the Room.

Gonzo destoa de tudo que já passou nesta edição do DocLisboa. Por vezes ágil como um videoclipe, por outras psicodélico como uma dose de LSD, Gonzo é um produto genuinamente Hollywoodiano. Narrado por Depp, o filme conta um belo time de entrevistados, como do desenhista Ralph Steadman, do senador Democrata George McGovern, do presidente Jimmy Carter, do líder dos Hell Angels Sonny Barger e do jornalista Tom Wolfe. Mesmo investigando a queda de Thompson, não podemos negar que o longa é uma apologia ao escritor que reinventou a Imprensa.

A Arte Contemporânea Chinesa: Liang Yuanwei

agosto 20th, 2008 § 0

Logo das Olimpíadas

“Em todo o mundo há museus a mostrar artistas contemporâneos chineses. Os estrangeiros começaram a aprender coisas sobre os artistas chineses e perceberam que alguns trabalhos são muito valiosos”. Para dar razão ao discurso de Wang Qingsong voltamos a falar de artistas chineses (até porque falar das Olimpíadas, sem ser para esculhambar ou frescar, tá difícil).

Liang Yuanwei, formada na Central Academy of Fine Arts, nasceu em Xi’An e hoje, aos 31 anos, é mundialmente conhecida por suas pinturas e fotografias. Assim como Qingsong, Liang faz uma obra mais ocidentalizada e justifica: “O que é chinês em mim faz parte de mim e não posso tirá-lo. Mas a minha forma de pensar é mais ocidentalizada do que orientalizada. Foi uma questão de educação. A minha geração aprendeu inglês muito cedo, começou a ler traduções dos Nobel [da literatura], leu Schopenhauer, Kafka. Isso tornou-se fundamental para a arte contemporânea. O conhecimento contemporâneo é muito ocidentalizado.”

A partir de pedaços de panos (lençóis, toalhas e roupas) de sua família, de seus amigos e dela mesmo, Liang fez pinturas reproduzindo fielmente esses tecidos. “Uso tecidos já feitos para que se perceba que estou interessada não na concepção do desenho, mas no resultado. Não há uma pincelada que cubra outra. Não se apagam erros. Volto ao princípio quando os faço”. A seguir dois quadros do trabalho 50 pieces of life, de 2004/2005.

Pano 1

Pano 2

Ainda em 2005, Liang faz uma de suas obras mais conhecidas, Don’t Forget to Say you Love Me. Ela mesma explica a idéia do trabalho: “Um curador disse-me para ser famosa devia ser fotógrafa, sobretudo sendo mulher. Em ‘Don’t Forget’ fotografei as posições em que os homens nos põem depois de fazer amor”.

Don’t Forget to Say You Love Me . . . (When You Fuck Me),” 2005. 1

Don’t Forget to Say You Love Me . . . (When You Fuck Me),” 2005. 2

Don’t Forget to Say You Love Me . . . (When You Fuck Me),” 2005. 3

Don’t Forget to Say You Love Me . . . (When You Fuck Me),” 2005. 4

Via Público e The Art Wolf

As esperanças de medalhas olímpicas de Portugal

agosto 9th, 2008 § 0

Logo das Olimpíadas

Nesta sexta-feira o Público trouxe uma entrevista com o chefe da missão portuguesa em Pequim, Manuel Boa de Jesus. Manuel está confiante e acredita que os atletas lusos podem conseguir de 4 a 5 pódios. “Temos cerca de 20 medalháveis e, naturalmente, nem todos vão estar como eu gostaria. Mas, entre as boas e as más surpresas, espero que a média dê quatro medalhas (…) se as coisas correrem bem, pode suceder de ganharmos cinco medalhas”.

Em 2000, nas Olimpíadas de Sidney, Portugal conquistou 2 medalhas de bronze, ficando na 69ª posição. Já nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, os lusitanos subiram para 61ª colocação, com 2 medalhas de prata e uma de bronze. Conheça agora os atletas que fazem Boa de Jesus acreditar em um desempenho histórico em Pequim.

Atletismo

Será que ela ganha o ouro?

Naide Gomes

Especialista em salto em comprimento, mês passado Naide bateu o recorde português nesta especialidade e, de quebra, igualou a melhor marca mundial neste ano, 7,04 metros. Forte candidata ao ouro.

Será que Évora fica entre os três primeiros?

Nelson Évora

Nascido em Cabo Verde, Évora desponta como um dos favoritos no salto triplo, onde consagrou-se campeão mundial em 2007.

Quantos(as) marchadores portugueses você conhece?

Susana Feitor

Considerada a melhor marchadora lusa de todos os tempos, Feitor corre por fora atrás de uma inédita medalha nessa prova para Portugal.

Canoagem

De sétimo lugar para o pódio? Será?!?!?!

Após um sétimo lugar em Atenas, Emanuel Silva é outro que corre por fora no sonho de uma medalha olímpica.

Esgrima

Você acha que ele tem cara de esgrimista?

Vice-campeão mundial em 2006, Joaquim Videira é uma das aposta de Boa de Jesus.

Judô

Caramba, a Telma é muito lindinha...

Tema Monteiro é a esperança mais palpável de pódio. Todavia, João Neto foi campeão europeu este ano e João Pina venceu a Taça do Mundo de Praga.

Tiro

Quero uma dessas!!!

O veterano João Costa, em sua terceira Olimpíada, é a aposta lusa nesta modalidade.

Triatlo

Que a Vanessa não dê uma de Daianne dos Santos...

Vanessa Fernandes, que detém o recorde de vitórias em Taças do Mundo, está no auge da forma física e é o depositário de toda confiança lusa em uma medalha de ouro.

Vela

Quinta Olimpíada, será que agora vai?

Com 36 anos, João Rodrigues participa da sua quinta Olimpíada e é forte candidato ao ouro em sua especialidade, RS: X.

Você concordo com a lista? Acha que tem gente demais ou faltou algum outro nome?


Com Jornal de Negócios e Público.

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