Notas sobre o último mês

julho 13th, 2009 § 0

Apesar de não escrever há mais de um mês, mantive-me atualizado. Acompanhei todo o imbróglio acerca do blog da Petrobras (iniciativa que agora vai ser largamente copiada). Vi que nos Estados Unidos o Twitter está estreitando a relação entre os esportistas e seus fãs, e que aqui seguimos na mesma direção. São pilotos, treinadores e até presidente de clube usando o serviço.

Twitter do Senador Inácio Arruda

Alguns políticos também aderiram à moda. É fato que certos ainda não entenderam bem a proposta da ferramenta (assim como algumas subcelebridades), é do caso o Senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) que, ou sofre de esquizofrenia ou acha que é o próprio Pelé.

Um site de fofocas deu o furo da década. E todos o citaram. Uma semana antes Gay Talese, que foi o segundo tema mais comentado do último mês, concedia uma entrevista à revista Veja onde dizia:

As pessoas vão sempre precisar de notícia e informação. Sem informação não se administra um negócio, não se vende ingresso para o teatro, não se divulga uma política externa. Todos os dias, nos jornais das cidades grandes ou pequenas, repórteres vão à rua para fazer o que não é feito por mais ninguém.

E, na revista Época, desenvolveu:

Alguém precisa levantar a bunda da cadeira e ir para a rua. O bom jornalismo é feito na rua. (…) A minha concepção de jornalismo sempre foi a mesma. É descobrir as histórias que valem a pena ser contadas. O que é fora dos padrões e, portanto, desconhecido. E apresentar essa história de uma forma que nenhum blogueiro faz. A notícia tem de ser escrita como ficção, algo para ser lido com prazer. Jornalistas têm de escrever tão bem quanto romancistas.

Capa d'O Povo

Nesta segunda, O Povo trouxe uma bela matéria denunciando abusos de oficiais do Ronda do Quarteirão. O tema foi um dos mais replicados no Twitter e o site (até o momento em que escrevo) conta com quase duzentos comentários.

Ou seja (e lá vou eu chover no molhado novamente), o que está “matando” os jornais são os releases, as matérias frias, o agendamento, etc. São textos como esse do Demitri Túlio e do Cláudio Ribeiro que não deixam o jornalismo morrer. O bom jornalismo agradece.

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Devido a eminência da monografia, este espaço continuará com escassas atualizações. Todavia, o twitter e o friendfeed seguem em pleno vapor.

O futuro do jornalismo: NYT e Guardian mostram o caminho

junho 3rd, 2009 § 7

Na última terça-feira (26/05), o NYT criou o cargo de editor de “social media”. Uma semana depois foi a vez do Guardian. O ceticismo aconselha ficarmos com um pé atrás, afinal o posto pode servir como forma de policiar os repórteres em suas contas de twitter, facebook e congêneres. Mas não há como não ver com bons olhos esse tipo de iniciativa.

Com o esmorecimento da home, faz-se necessário uma presença cada vez mais efetiva em redes socias. Ir onde está sua audiência nunca foi tão vital.

Nada disso é novidade, muito pelo contrário, tanto que em Portugal, o jornal i marca presença em todos esses canais e o Público criou um hotsite para as eleições europeias de 2009 que, desde já, considero modelo.

Enquanto isso, aqui no Ceará, ainda engatinhamos. É verdade que Diário do Nordeste e o O Povo possuem conta de vídeo (O Povo também tem twitter). Todavia, o canal do O Povo não é atualizado há 2 meses e os vídeos de ambos primam pelo amadorismo: não há edição mais acurada e muitos vídeos tremem como se não houvesse amanhã.

Mas isso é o de menos, o que salta aos olhos é a falta de iniciativas. Os jovens não leem mais jornal e passam o dia no Orkut? Pois façam comunidades no Orkut que os tragam para o jornal, façam newsgames com os buracos da cidade ou sobre a Copa de 2014. Por que o ombudsman d’OPovo (e o conselho de leitores) não tem um blog?

A impressão que tenho é que quando os jornais daqui acordarem será tarde demais.

Da dificuldade de usar o hipertexto

maio 15th, 2009 § 3

Times Extra

Entendo a objeção que alguns jornalistas experientes possuem em ‘linkar’ conteúdo de outros veículos, afinal, aprenderam que precisam fidelizar o leitor e citar o concorrente é visto como disparate, erro passível de demissão por justa causa. Que o NY Times use links para conteúdo dos concorrentes, com a finalidade de agregar valor à notícia, e, pasmem, fidelizar o leitor, é exceção, visto como “outra realidade”.

Agora, não entendo é o jornal não usar hipertexto nem para o próprio conteúdo. Hoje O Povo traz um artigo do jornalista Plínio Bortolotti onde “rebate os argumentos do cineasta Rosemberg Cariry“, que teve um texto publicado no jornal na segunda-feira passada. Ingênuo que sou, achava que na página do artigo do Plínio teria o hipertexto (com link de novo que é para fixar) para o artigo do Cariry. Ainda não foi desta vez.

Como o Plínio é um jornalista, embora “jurássico”, descolado (possui blog e twitter), sugiro que ele repasse este texto para redação d’O Povo. Como o autor frisa logo no início, “este não é um pensamento novo, mas sinto que precisa ser dito novamente.”

Where Am I?

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