No vídeo acima, em uma palestra para o TED, em 2005, o psicólogo Barry Schwartz defende que a liberdade de escolha paralisa e nos torna infelizes.
Esta semana um ótimo texto no Guardian corroba a tese de Schwartz. A autora, Molly Flatt, diz que nunca leu tanto, em tantas plataformas diferentes. Todavia, conta, não se sente realizada/feliz como quando sua única opção de leitura era o livro.
Qual a solução? Schwartz sugere uma sociedade com menos, bem menos opções de escolha, assim não teríamos a ilusão de que existe uma opção perfeita, não criaríamos muita expectativa e ficaríamos felizes com a escolha.
Bem, não sei você, mas prefiro morrer infeliz e depressivo com liberdade de escolha do que ser obrigado a seguir uma corrente monocórdica.
Domingo passado o Financial Times disponibilizou (aqui em pdf) uma análise de mídia realizada por um garoto de 15 anos para o banco Morgan Stanley. O britânico Matthew Robson diz que ele e seus amigos não leem jornais, não escutam rádio e não veem muito sentido no Twitter. Otextofoifortementerepercutidoe corroborado. Todavia, não podemos perder de vista que Robson apenas descreve os hábitos de um grupo de amigos que moram em Londres. Ou seja, não podemos generalizar. Várias de suas observações não se aplicam a outras realidades. Por exemplo:
Oito em cada dez adolescentes fazem download ilegal de músicas, diz Robson. Estudo recente aponta que o compartilhamento ilegal de músicas pela Internet caiu mais de 60% nos últimos dois anos.
Semana passada rolou um burburinho de que NYTimes irá cobrar cerca de US$ 5/mês para aceder a todo o conteúdo do site. Logo em seguida Joshua Benton, diretor do Nieman Journalism Lab, escreveu um ótimo artigo defendendo que, se é para cobrar, que cobre logo 10, 15 dólares. Na terça-feira (16) foi a vez de Lionel Barber, editor do Financial Times, afirmar que no prazo de um ano quase todos os veículos de comunicação irão cobrar por seu conteúdo online. Caso Barber esteja certo, esta política vai de encontro com a teoria defendida por Chris Anderson no seu mais recente livro, Free.
A semana foi de alegria para Mark Zuckerberg e de preocupação para alguns usuários do Facebook. Na quarta-feira (15), a rede social alcançou a incrível marca de 250 milhões de usuários (fosse um país, o Facebook seria o quarto mais populoso do mundo). Já na sexta, a maior rede social do mundo trouxe um anúncio “Hot single” com a foto da esposa de um usuário. No Canadá, onde um terço da população usa o serviço, o governo afirmou que o Facebook viola os direitos de privacidade dos usuários, uma vez que o site armazena informações sobre os usuários mesmo após esses terem encerrado suas contas.
“Blogs are Back!”
Echo promete agregar na caixa de comentários todas as conversações/comentários/reações (twitter, digg, facebook, friendfeed, outros blogs, o escambau) que o artigo do seu blog gerar, e em tempo real. Promissor. A conferir.
Na última terça-feira (26/05), o NYT criou o cargo de editor de “social media”. Uma semana depois foi a vez do Guardian. O ceticismo aconselha ficarmos com um pé atrás, afinal o posto pode servir como forma de policiar os repórteres em suas contas de twitter, facebook e congêneres. Mas não há como não ver com bons olhos esse tipo de iniciativa.
Com o esmorecimento da home, faz-se necessário uma presença cada vez mais efetiva em redes socias. Ir onde está sua audiência nunca foi tão vital.
Nada disso é novidade, muito pelo contrário, tanto que em Portugal, o jornal i marca presença em todos esses canais e o Público criou um hotsite para as eleições europeias de 2009 que, desde já, considero modelo.
Enquanto isso, aqui no Ceará, ainda engatinhamos. É verdade que Diário do Nordeste e o O Povo possuem conta de vídeo (O Povo também tem twitter). Todavia, o canal do O Povo não é atualizado há 2 meses e os vídeos de ambos primam pelo amadorismo: não há edição mais acurada e muitos vídeos tremem como se não houvesse amanhã.
Mas isso é o de menos, o que salta aos olhos é a falta de iniciativas. Os jovens não leem mais jornal e passam o dia no Orkut? Pois façam comunidades no Orkut que os tragam para o jornal, façam newsgames com os buracos da cidade ou sobre a Copa de 2014. Por que o ombudsman d’OPovo (e o conselho de leitores) não tem um blog?
A impressão que tenho é que quando os jornais daqui acordarem será tarde demais.