A nova peça publicitária do seriado americano Weeds mostra os percalços por qual passou a marijuana nos Estados Unidos. De popular e conceituada, a maconha foi demonizada durante boa parte do século 20. Agora, afundados em uma grave crise financeira, os americanos começam a olhar a erva com bons olhos novamente. Seu uso medicinal está gerando tanta receita que o estado da Califórnia estuda legalizá-la para estimular a economia.
O canal do seriado no youtube traz ainda Yes, we cannabis, onde sentencia: “o longo pesadelo nacional está perto fim“.
Adoro assistir filmes que já vi. Perdi a conta de quantas vezes revi O Poderoso Chefão, Indiana Jones e a Última Cruzada, Tempos Modernos, Perfume de Mulher, De Volta para o Futuro, Laranja Mecânica, Notting Hill, entre outros. Cada nova visita uma nova descoberta, um detalhe que havia passado desapercebido na vez anterior. Amnésia, nesse aspecto, é um filme singular. Já mudei minha opinião sobre a índole do protagonista, Leonard, umas quatro vezes. Assim como na literatura, os bons filmes permitem que cada espectador faça uma leitura diferente da obra.
Essa semana vi The Dark Knight. Mesmo com sua câmera carrosel, uma Rachel Dawes (assim como a anterior) sem sal e um Duas-Caras meia-boca, gostei muito do filme. Cenas como a que o Coringa conta como conseguiu suas cicatrizes; a que ele explode um hospital; ou quando faz seu discurso final já valem o ingresso. Sim, o filme vale pela personagem de Heath Ledger. O longa perde bastante em densidade e energia quando o Coringa não está em cena.
“Essa fabulação tem um fim político preciso, i. é: combater o mal absoluto tem um custo, que consiste em viver nas sombras. Esse é o preço pago por Batman, mas, se formos pensar bem, há um outro personagem atual que pode reivindicar tal papel, e atende por George W.”
E conclui:
“Dizem que este é o Batman de Frank Miller (e o Coringa também). Talvez seja isso mais que tudo. Aquele ‘Sin City‘ já era isso e não engoli de jeito nenhum. É um investimento no pior, na baixeza, na podridão.”
“Resumindo minha impressão, o novo Batman é chato, ruidoso e reacionário.”
“No Brasil, Banner é perseguido pelos corredores da favela da Rocinha. Quando chega aos EUA, o personagem é obrigado a fugir através dos corredores de uma belíssima universidade. É evidente que os livros simbolizam a civilização. Os barracos, por sua vez, representam a barbárie. Assim, é impossível não fazer duas perguntas. No Brasil há favelas porque não existem livros? Nos EUA não existem favelados por causa das bibliotecas?”
Mais adiante:
“Banner, o norte-americano, não desejava o poder que adquiriu e passa o tempo todo tentando se livrar dele. Já o soldado de origem russa faz qualquer coisa para adquirir condições de confrontar Hulk. Quando consegue o que deseja, o monstro russo ataca indiscriminadamente as pessoas nas ruas de New York. Em razão disto, o bom moço aceita o sacrifício de libertar o Hulk para defender a população.”
Interessantes e válidas leituras. Contudo, em ambos os casos, fico com a sensação daqueles discursos esquerdistas onde é possível ver a “mão ossuda, peluda e fedorenta do imperialismo” em todos os cantos. Já do outro lado da linha do Equador tem colunista americano (que deve ser considerado pelo Araújo e pelo Ribeiro como “direitista com sentimento de culpa”) dizendo que essa temporada é “do verão da culpa branca”.
Não vejo o Batman como Bush, nem o Coringa como Bin Laden. Todavia, claro, é possível achar argumentos que validem essa teoria. Como qualquer outra. Entrando no jogo, se fosse para enviesar pela política norte-americana diria que o Batman (que trabalha nas trevas) seria a encarnação de Dick Cheney e Harvey Dent o Barack Obama (depositário de toda a confiança e esperança da população e que no fim…).
Será que o Departamento de Estado Americano interfere em todos os blockbusters? Será que nada é gratuito, tudo é político, possui uma mensagem cifrada e eu que estou sendo ingênuo demais? Será que se esses mesmos filmes fossem espanhóis, franceses ou mesmo ingleses, eles teriam por parte da crítica essa mesma leitura?
Em 2005 assisti a um interessante documentário chamado Surplus: Terrorized Into Being Consumers (que você pode ver no Youtube). O grande atrativo do filme está na edição magistral de Johan Söderberg, que faz música através dos sons das máquinas e manipula discursos, como o líder cubano Fidel Castro.
Hoje assisti alguns vídeos que me lembraram essa técnica. Eles não possuem o mesmo acuro de Söderberg, mas valem a visita. A seguir Bush canta Sunday Bloody Sunday.
Impressionante. Os EUA vão escolher o novo presidente e as prévias dos partidos não acabam. Coisa sem fim. Mas uma coisa que não podemos negar é a rica, e engraçada, utilização do YouTube nas campanhas. Do lado Republicano tivemos a impagável participação da lenda Chuck Norris. Já pelas bandas Democratas, onde a disputa é mais acirrada, tivemos a contribuição da Obama Girl e números musicais para Barack Obama e Hillary Clinton.
Nesta terça, como vocês sabem, a esposa do Bill ganhou novo fôlego após a vitória no Texas e em Ohio. Não sei não, mas algo me diz que este vídeo tem algo a ver com essa arrancada.