Após uma pausa para recuperar as forças da maratona de filmes, seguimos com rápidos comentários sobre os filmes que vi no Festival.
Parlez Moi d’Amour (Tell Me About Love), de Alexia Bonta. **
Em um hospital, duas velhas falam sobre amor. Apesar de estarem à beira da morte, relembram antigos amores com muita vivacidade e altas doses de humor. Discorrem também sobre o presente com sobriedade e austeridade. Curto – conta apenas com 14 minutos -, o filme deixa a platéia com um gostinho que quero mais. Melhor assim.
Faz-se necessário um parêntese sobre a diretora. Aos 26 anos, a debutante Alexia, com toda sua timidez e charme, ganhou, de longe, na opinião deste humilde escriba, o prêmio de musa do Festival. Infelizmente não consegui tirar uma foto decente da belga e na internet achei apenas esta, que não condiz com toda sua beleza. De qualquer forma fica aqui o registro.
The Red Race, de Chao Gan. ***
Não sei quantas medalhas a China levou em ginástica nestas Olimpíadas, contudo sei que não foram poucas. Fico sempre impressionado com aqueles pequenos notáveis desafiando as leis da gravidade. A fabricação desses prodígios é o tema do pertinente documentário de Gan. São crianças de 4, 5, 6 anos de idade sendo submetidas a treinamentos desumanos. Durante uma hora vemos meninos e meninas serem xingados, humilhados e até espancados por treinadores que não fariam feio frente ao Sargento Hartman, de Full Metal Jacket. E a pressão para tornarem-se grandes atletas e ganharem medalhas transpõem o ginásio. Pais e mães fazem uma lavagem cerebral nessas pobres crianças. Fiquei imaginando como eram os treinamentos na ex-União Soviética.
No Youtube existe um vídeo de dez minutos do longa. O problema é que é dublado em espanhol, tem narração e musiquinha sentimentalóide. Enfim, serve como um péssimo convite para assistir ao bom The Red Race. Todavia, como acho que o acesso ao filme será difícil, fica a sugestão.
El Sastre (The Tailor), de Óscar Perez ***
Mohamed é um emigrado paquistanês que trabalha em um dos bairros mais pobres de Barcelona como alfaiate. Singh é seu ajudante. Acompanhamos a conflituosa relação patrão-empregado e empresa-cliente.
Mohamed é um trambiqueiro de mão cheia. Engana os clientes, a Singh e a si próprio. Quando estão sós (mas com a presença da câmera, é óbvio), supondo que o diretor não sabe a língua que estão falando, os migrados desatam a falar do filme e do diretor. Perez, muito espirituoso, aproveita-se disso e faz um curta hilário.
Barking é o subúrbio londrino onde existe a maior incidência de imigrantes na Inglaterra. Susan e Jeff são um casal caucasiano que moram há anos na região e são impelidos pela equipe de filmagem a jantarem com os vizinhos nigerianos. Dave é um conservador que milita pelo partido de extrema-direita, o Partido Nacional Britânico. O judeu Monty é um sobrevivente do Holocausto que mantém uma relação afetuosa com a africana Betty.
O filme faz parte de uma série de seis episódios da BBC chamada White. Com as vantagens (e desvantagens) de ser um produto televisivo, All White in Barking é um excelente documentário sobre a tolerância e a questão do Outro. Isaacs foi muito feliz na escolha do “elenco”, expondo contradições inerentes do preconceito e obtendo ótimas tiradas.
Dave possui aversão a estrangeiros (negros em especial), mas suas filhas namoram afro-descendentes e ele (Dave) possui um neto negro. “É do meu sangue, o que eu posso fazer?”, diz em determinado momento. Monty leva Betty no encontro anual dos sobreviventes do Holocausto. Entre olhares de desaprovação, somos brindados com o discurso mais lúcido do filme. Após o jantar na casa dos nigerianos, Susan (ou foi Jeff? já não me recordo) diz uma frase que é síntese do preconceito dissimulado: “different, BUT enjoyable.” Essa simples palavra faz toda a diferença.
Sabe aqueles filmes que lhe escapa? Que você sente que não captou, que não estava na mesma sintonia? Aconteceu isso com Afterschool.
Eis a sinopse: “Robert é um jovem estudante note-americano numa Escola Preparatória de elite situada na Costa Este dos Estados Unidos que filma acidentalmente a morte trágica de duas colegas de turma. Após o acidente, as vidas das alunas são homenagedas através de um projeto audiovisual destinado a sarar rapidamente o luto da comunidade escolar. Além disso Frederick Wiseman quer fazer um documentário sobre o fato. Mas o trabalho em vídeo acaba por gerar um clima de desconforto e alimentar uma atmosfera de paranóia e suspeição entre os estudantes e os professores.”
A estréia do jovem diretor Antônio Campos – 21 anos – é o retrato de uma geração. A dele, a minha. Imagens de celular, Youtube e a própria Internet são personagens do filme. Durante a projeção lembrei de Elephant, de Gus Van Sant. Um filme curioso e incômodo, que merece uma revisita.
Fácil. Coloque uma mochila em cima de um banco próximo da estação de metrô de Atocha (aquela mesma dos atentados de 11/03) e saia andando tranqüilamente. Pânico geral em 5 minutos, no máximo.
Foto tirada, obviamente, antes do pandemônio tomar conta do local
Antes de viajar para Madrid procurei pela vastidão da Internet dicas de albergues baratos, sugestões de roteiros para conhecer o maior números de locais interessantes no menor tempo possível, tabela com os preços dos principais museus, etc. O resultado foi frustante. Até encontrei algumas infomações úteis, mas foi preciso visitar dezenas de sites antes de cruzar com elas.
Por isso, mesmo ciente da insuficiência e superficialidade do que segue, pretendo agrupar algumas
informações necessárias para uma viagem rápida e barata para Madrid.
AVISO: Este guia é destinado, sobretudo, a estudantes latino-americanos residentes na Europa e com sérias restrições orçamentárias.
Passagens
Para além das gigantes EasyJet e Ryanair, onde é sempre possível fazer as conexões mais esdrúxulas para pagar menos, recomendo outra companhia low cost, a espanhola Vueling.
Caso as passagens de avião estejam caras (o que ocorre com freqüência nos meses de Julho-Agosto e recesso de Natal) outra alternativa são os ônibus (pelo menos para quem está morando em Portugal). Fui para Madrid pela InterNorte, mas o buzão que eu peguei era terrível. O centro acadêmico de qualquer universidade meia-boca brasileira consegue alugar algo melhor que aquilo. Por isso aconselho a Rede Expresso, que cobra quase a mesma coisa (Lisboa-Madrid gira em torno de 35-45 euros) e possui mais qualidade.
LEMBRETE: Caso viaje de avião, lembre que despachar malas muitas vezes custa mais caro do que a própria passagem, por isso procure levar apenas uma bagagem de mão (uma mochila com máximo de 10kg e com dimensões de 55cm x 40cm x 20cm).
LEMBRETE 2: Não esqueça que o limite máximo tolerado de xampu, desodorante, perfume, etc, são de apenas 100 ml por frasco no total de 5 frascos.
Hospedagem
Madrid possui três ótimas opções de albergues, o Cat’s Hostel, La Posada de Huertas e Mad Hostel. As reservas podem ser feitas nos respectivos sites ou no Back Packer Spain, que congrega também albergues de Barcelona, Valência e Sevilha.
Fiquei no Cat’s. Lá há opções de quartos simples até quartos mistos com cartoze pessoas. O local é bacana. Limpo e organizado, há wi-fi, além de quatro computadores (sempre ocupados), um barzinho e o café-da-manhã é de graça. E esse o grande ponto negativo do local: é pouco e não permite repetir o desjejum (previlégio que, segundo o Lucas Sampaio, é concedido pelo Huertas). A diária mais barata no Cat’s custa € 19,90 no quarto misto com cartoze camas.
LEMBRETE: O Cat’s exige uma caução de dez euros para caso você não saia até às onze horas do dia que termina a sua diária.
Comecemos por aquilo que talvez tome mais tempo na velha Madrid, a visita ao Palácio Real. Construido a pedido de Felipe V, no século XVIII, foi apenas com Carlos III e Carlos IV que o palacete ganhou a magnitude que persiste até hoje. São mais de uma dezena de ambientes e salões suntuosos, eloqüentes e incrivelmente belos.
O bilhete que permite visitar todas as salas custa dez euros. € 12,00 com visita guiada. Estudantes pagam 3,50. Nas quarta-feiras cidadãos da União Européia não pagam.
Em frente ao Palácio Real fica a Catedral de la Almudena, primeira catedral espanhola consagrada por um papa, João Paulo II, em 1993. Infelizmente ela estava fechada para reformas no dia em que a visitei.
Do lado esquerdo do Palácio Real está localizada a Plaza de Oriente (foto acima). Pequena e sem grandes atrativos, a praça serve como mediação para chegarmos ao imponente Teatro Real (a visita virtual do site é bacana).
Finalizamos as adjacências do Palácio Real com o Campo del Moro. Um lindo parque com as habituais fontes, estátuas e belas vistas.
Indo em direção ao centro da cidade chegamos ao Puerta del Sol, o ponto mais movimentado e agitado da cidade. A histórica praça é enriquecida pelo famoso cartaz do Tio Pepe, uma estátua de Carlos III (a cavalo, obviamente) e a fachada da Casa de Correios.
Palco de cortejos, touradas, julgamentos da Inquisição e execuções públicas, atualmente Plaza Mayor é um tranqüilo e aconchegante local para tomar um café e comer churros ao entardecer.
Ir a Madrid e não visitar o Prado é como ir em Paris e não conhecer o Louvre. Imperdoável. Com dezenas de obras de Goya e Velázquez, o museu ainda traz um amplo acervo de pinturas européias e esculturas.
LEMBRETE: O Prado constantemente está com uma exposição temporária, quando lá estive era acerca do Renascimento. Recomendo vividamente a compra a entrada das duas. Aqui você encontra a tabela de preços e outras informações úteis.
Por mais que o Prado possua As Meninas e Os Fuzilamentos de 3 de Maio, por exemplo, não posso negar que gostei bem mais do Thyssen-Bornemisza. O barão que concede o nome ao museu simplesmente é dono de uma coleção que faz um panorama da pintura ocidental entre os séculos XIV e XX. Passamos por todas as escolas importantes até desbocar na ininteligível Arte Contemporânea. Horários de funcionamento e preços.
Não visitei o Centro de Arte Reina Sofia, logo não vi Guernica, a obra-prima do local. O Centro conta ainda com muitas outras pinturas de Picasso e Miró. Informações gerais.
PS: Esse post está sujeito a alterações. Conto com a sua colaboração para enriquecer esse guia.
Vanessa Fernandes fez história neste domingo ao conquistar, na Espanha, a 20ª vitória CONSECUTIVA em etapas da Taça do Mundo de triatlo. A pentacampeã européia venceu pela sexta vez a prova de Madrid. E olha que eu nunca tinha ouvido falar nela, e você?
Mas a melhor notícia do dia foi a entrevista do José Mourinho para o jornal inglês The Observer. O ex-técnico do Chelsea, atual da Inter de Milão, acabou com o israelita Avram Grant, que dirigiu os Blues. “Na minha filosofia, foi uma época bastante má porque para mim, no futebol, ‘quase’ significa derrota e o Chelsea quase ganhou a Taça da Liga, quase ganhou a Liga dos Campeões e quase ganhou o campeonato. Quase é igual a nada (…) Depois de dois títulos por época nas últimas três épocas, não se ganhou qualquer um este ano. Na minha filosofia, isto significa que a época foi muito má. Possivelmente, na filosofia de um perdedor, foi uma excelente época e respeito isso”. Muricy Ramalho? Leão? Luxemburgo? Scolari? Que nada, quero Mourinho no meu time, já!
Fotos de Stefan’s Page, Salvador Colaço, novais882, acheng709394.
A manifestação dos professores no sábado passado, aqui em Lisboa, reuniu cerca de mil professores de todo o país, tornando-se a maior manifestação da classe de todos os tempos. A Marcha da Indignação, que é contra a política do Gorveno para a Educação, não surtiu muito efeito. O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou que a saída da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, está fora de cogitação. “As pessoas têm o direito de se manifestar. Mas era o que faltava se a acção governativa dependesse agora do nível das manifestações. Quem determina a acção governativa são os portugueses quando escolhem o Governo”, conclui Sócrates. Mais informações no Metro.