O extraordinário plano-sequência de El Secreto de sus Ojos

fevereiro 19th, 2010 § 1

Que o cinema argentino está anos-luz a frente do brasileiro ninguém discute. Mas apenas esse plano-sequência do estádio em El secreto de sus ojos é melhor do que a metade dos filmes que assisti ano passado.

El secreto de sus ojos é dirigido por Juan José Campanella, que já comandou alguns episódios de House, 30 Rock e é responsável por um dos melhores longas da década: El hijo de la novia. Em entrevista, Campanella afirma que foram dois anos de preparação, três dias de filmagem e nove meses de pós-produção para a cena:

- Lo que me confunde es cómo hicieron esa escena. Entre nosotros, ¿cómo logró usted esa impresionante toma aérea que culmina con una persecución en primer plano, mezcla de humanos y digitales? ¿Y puede durar como seis minutos, sin que se note ningún corte?

- Avance cuadro a cuadro y no verá ninguno. Ya muchos sitios de software de efectos visuales nos están pidiendo esa toma, pero ahora no voy a develar nada. Forma parte de la diversión el que todos se intriguen queriendo saber “cómo lo hizo”. Sólo diré que nos llevó dos años de preparación, tres días de rodaje con actores y 200 extras, y nueve meses de postproducción, empleando en parte el programa Massive que usó Peter Jackson para El señor de los anillos. Los de la productora “100 bares” somos los únicos en Latinoamérica que podemos y sabemos usar ese programa. Agradezcamos a nuestro supervisor de efectos visuales Rodrigo Tomasso, un entrerriano que dicta cursos en Norteamérica, y esperemos que no se lo lleven.

De acordo com o Filme B, o filme argentino estreia no Brasil próxima sexta-feira, 26 de fevereiro. Espero que chegue em terras alencarianas. Segue o trailer:

La apertura

maio 19th, 2009 § 2

La apertura

Durante o Ensino Médio conheci Os Contos da Montanha, do português Miguel Torga. Não nego que li única e exclusivamente porque meus proféticos professores de língua portuguesa tinham como favas contadas a presença dessa obra no vestibular daquele ano. Não “caiu”, mas este foi o melhor livro que passou pelas minhas mãos naquele ano. Enquanto o lia, não saia da minha cabeça aquele famoso aforismo de Tolstói, “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”.

Desde então nutro um particular apreço por obras que, reportando uma realidade específica, com suas singularidades intrínsecas, conseguem atingir as mais díspares e longínquas audiências.

É o caso do curta La apertura. Narrando um dia na vida de dois amigos dançarinos de tango que almejam a fama, a história filmada em um bairro pobre de Buenos Aires, bem poderia ter como cenário alguma cidade do interior do Ceará, apenas substituindo, evidentemente, o tango pelo forró.

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