Com conta em várias redes sociais, I possui um dos melhores sites de jornal que conheço. Bem que os diários brasileiros poderiam aprender a fazer sites (e como ter uma presença efetiva na rede) com o I (e também com os ótimos Público e Expresso).
Aparentemente, a Solormedia não lê jornais. O grupo editoral luso lançou nesta quinta-feira um novo jornal em Portugal. Em meio a uma grave crise financeira e a incerteza que ronda os jornais impressos, eis que surge i. O editorial aponta o objetivo.
Antes, uma explicação: o i acredita que a informação vale dinheiro. Mas reconhece que ninguém paga para conhecer o que já sabe. Quando há tempos um avião usou o rio Hudson como pista de aterragem, a proeza do piloto entrou-me no carro por SMS. Não tinha o rádio ligado. Não era preciso. A informação é viral. É um vírus bom, e o i sabe que este novo jornalismo exige que ela seja organizada de maneira diferente. Sabe que os leitores, na verdade, não querem papel dividido em pesadas secções de política, economia ou cultura. Ou o online a cuspir informação inútil a cada segundo. Querem ler o que interessa, o que de melhor e mais relevante se passa no mundo à sua volta: e por isso este projecto implode as secções tradicionais dos jornais, tal como o online desarruma a organização clássica dos sítios web.
(…)
O i quer devolver a agressividade que os jornais diários perderam, a profundidade que os semanários esqueceram e a sofisticação que as revistas procuram. Na verdade, o i acredita que num instante tudo muda e sabe que quem agora ler assim não lerá mais como antes. Não há inimigos nem concorrência. Há uma paixão imensa pela informação e uma equipa preparada para suar. Seja bem-vindo a este mundo novo.
Após meses de espera finalmente saiu o resultado do I Concurso de Fotografia da Nova, organizado pela Universidade Nova de Lisboa. Não tenho muito tino para a coisa, mas o Lucas Sampaio, nobre companheiro de residência em Portugal, sim, e estávamos ansiosos para saber se ele iria ganhar os 300€ da primeira colocação, ou não.
O tema do concurso era “Nova(s) Cidade(s)” e as fotos tinham que passar uma ideia de que “as cidades são um espelho do mundo global, em que as pessoas e as arquitecturas deixaram de ser semelhantes e convencionais, para serem reflexo da diversidade e da diferença” e blá-blá-blá.
Agora vejam as fotos e digam se o Lucas não merecia pelo menos a segunda colocação.
1º LugarJoão André Farinha, “O mundo na ponta dos dedos”, Setúbal – Portugal.
2º Lugar Tiago Brito, “Sorria, você está a ser filmado”, Parque das Nações, Lisboa – Portugal.
3º Lugar Lucas Sampaio, “Café a dois com mapa turístico”, Paris – França.
Mas lástima mesmo é que o prêmio (100€) só pode ser usado na compra de equipamento fotográfico. Com esse valor dava para conseguir um bom vinho.
Os melhores títulos de filmes estrangeiros para o português de Portugal – Parte IV
Nos últimos dias listei mais de cem filmes com traduções esdrúxulas para o português de Portugal. Fiz essa compilação não para tirar onda com nossos irmãos lusos (ok, essa também foi uma das razões), mas, principalmente, como terapia para minha ojeriza aos nomes que as fitas ganham no Brasil (aqui e aqui você encontra bons exemplos do que estou falando).
Dois dos títulos mais zoados pelos brasileiros em Portugal são O Charreteiro Infernal (Ben-Hur, 1959) e O Filho (ou O Homem em outras versões) Que Era Sua Mãe (Psycho, 1960). O problema é que conversei com vários portugueses, fui em algumas locadoras e, obviamente, pesquisei na Internet e não achei nada, absolutamente NADA de concreto que provasse que esses filmes possuam realmente esse nome aqui em Portugal.
Aparentemente a vontade de frescar com o pessoal da terrinha é tanta que esses títulos surgiram por geração espontânea, transformando-se em mitos (se estiver enganado, favor enviar uma imagem ou um site que registre esses filmes com os respectivos nomes).
Por outro lado, a nossa tradução de The Godfather (O Poderoso Chefão) é sempre motivo de chacota pelos portugueses.
Extrapolando o campo do audiovisual, podemos encontrar muita perspicácia na tradução do livro Brando Unzipped, de Darwin Porter: Brando Mas Pouco (pegou o trocadilho, hem? hem?!).
Durante a pesquisa para a feitura desta série encontrei centenas (sim, centenas) de títulos que, mesmo mantendo alguma coerência com a história da película, não tinham nada a ver com os nomes originais. Em alguns caso chegava ao paroxismo de negar o título original, como podemos observar em Viver de Novo (Dead Again, 1991), O Bilhete de Ida e Volta (One Way Passage, 1932) e Inadaptado (Adaptation., 2002).
A categoria a seguir (que fechei com mais ou menos 50 títulos para não ficar longa demais) tem como finalidade realçar essa discrepância de nomes.
O Cinema, como todas as demais artes, possui a qualidade de suscitar as mais variadas emoções no espectador. A surpresa final oriunda do suspense e das reviravoltas da trama, como em O Sexto Sentido por exemplo, é regozijadora. Não é à toa que um dos prazeres que tenho é assistir um filme sem saber absolutamente nada da trama e muito menos dos bastidores da produção. Desarmado de expectativas, a desilusão com o resultado final é menor e o prazer das descobertas mais intenso.
Infelizmente poucas pessoas pensam como eu e, tendo isso em mente, os tradutores de Portugal procuram sintetizar o enredo da película já no título e/ou classificar de alguma forma o longa.
Neste segundo post da série trazemos mais duas categorias, Spoiler e Juízo de Valor. Na primeira enumeramos títulos que contam mais sobre a trama do que o nome original; no segundo grupo indicamos filmes que, aparentemente, os tradutores envolveram-se demais.
É chato ver a questão-chave de The Life of David Gale explícita logo no título e extremamente brochante perceber que o suspense de Vertigo perde parte do seu impacto pela revelação que o título português traz. Destaque ainda para “À 1 e 45″, que, ironicamente, configura uma sabotagem à própria trama e “O Homem que Veio do Futuro”. Juro que ainda não entendi o que o tradutor quis dizer com esse título, uma vez que a personagem de Charlton Heston vem do passado e não do futuro. Lembrando ainda que essa descoberta é feita apenas no último plano do filme.
Categoria Juízo de Valor ou: Como Fazer do Título uma Releitura dos Seus Filmes Prediletos
Apenas alguns comentários: gostei d’Os Tenenbaums, mas não achei nada genial; o que seria um “doido com juízo”?! Como diagnosticá-lo?!; clássico máximo da Sessão da Tarde, será que Ferris Bueller deu aulas para os moleques do Super-Baldas; “Mulher, Guarda o Teu Coração”, isso é título de filme ou livro de auto-ajuda?!; Napoleon, herói?! Só se for dos idiotas.
Nenhum filme é realizado por apenas uma pessoa. Mesmo assim, desde a concepção da idéia de Cinema de Autor, pela Cahiers du Cinema, é de praxe atribuir o desempenho de um longa ao seu diretor. Todavia, sabemos que raríssimas vezes o realizador possui pleno domínio da obra, uma vez que o produtor tem autoridade sob grande parte do projeto. As produtoras, em sua larga maioria, visam primeiramente recobrar o dinheiro investido e, obviamente, gerar lucro, não tendo assim, necessariamente, o esmero que o realizador teria na solução de algumas etapas do projeto.
Isso explica, em parte, as esdrúxulas traduções que os filmes ganham no exterior. Outras razões que me surgem seriam: falta de bom senso, burrice, falta de sensibilidade, falta de cultura geral, ou ainda, puro e simples sadismo.
Todo esse preâmbulo foi para dizer que, após uma extensiva e exaustiva pesquisa, de meses e meses, trago agora para você algumas das mais interessantes releituras de títulos gringos para o português lusitano. Eis o primeiro da série:
O que é que uma ficção-científica, um suspense noir, um thriller e o horror de Stephen King possuem em comum?! Nos quatro algum personagem aceita uma carona (boleia) de estranhos e acaba entrando em grandes confusões.
No Ceará, há duas acepções para a palavra fresco: do verbo frescar, aquele cidadão que fica de brincadeira, soltando piadinhas maliciosas, ex. “Não leve Fulano a sério, ele tá frescando com a tua cara”; e substantivo feminino que remete a uma feminilidade, uma baitolagem, uma viadagem, ex. “Sibite baleado, deixa de frescura e vem logo terminar o serviço que eu tô avexado” (mais sobre cearês, aqui). Obviamente que o sentido da palavra nos títulos acima é outro, no caso, de conotação temporal, ou seja, “recém-casados” e “separados recentemente”. Pinga-amor, uma das expressões mais originais que ouvi aqui pela terrinha, é a alcunha utilizada para designar os libertinos da estirpe de Don Juan. Ah, e que atire a primeira pedra que nunca teve “Uma Sogra de Fugir”…
Sendo este blog uma casa de família, peço que vocês procurem o significado de moca em outro sítio. Reconheço que não fazia idéia que a palavra balda existia, pensava que os tradutores tinham tentado aportuguesa o termo para ficar “engraçado”. Se bem que continuo com essa opinião, já que balda é aquele cidadão gazeteiro e, se bem recordo, o trio maravilha do filme não falta nenhuma aula. “Um Azar do Caraças” é uma pérola, um verdadeiro achado. Curto, grosso, sem rodeios, apenas uma expressão que capta todo o estado de espírito de quando o casal recebe a notícias que de terão um filho. Haja sensibilidade!
O excelente grupo humorístico Gato Fedorento está com um novo programa na televisão portuguesa. No ar desde 5 de Outubro do ano passado, pela SIC, apenas hoje vi algumas sketches de Zé Carlos. Nada de excepcional, contudo, juntamente com Os Contemporâneos e o CQC, é a melhor opção de humor inteligente por essas bandas. Eis os vídeos que mais gostei:
Durante a viagem à Serra da Estrela devo ter passado mais de um terço do tempo dentro do carro. Nesse empolgante período pude prestar atenção nas músicas executadas pelas rádios lusas.
No plano internacional só deu a insinuante I Kissed a Gilr, de Katy Perry, e o onipresente Coldplay. Aparentemente há uma fixação pelo grupo por essas bandas, para vocês terem uma idéia a antiga Clocks tocou meia dúzia de vezes. Viva La Vida então, predi a conta.
Felizmente não escutei nenhuma música da Ivete Sangalo ou do Zezé Di Carmago & Luciano. Todavia, a insuportável Boa Sorte/Good Luck, da Vanessa da Mata e do Ben Harper tocou o suficiente para colocarmos o gosto musical dos portugueses em xeque.
Das canções lusas que ouvi essas foram as mais executadas: