A segunda mesa de quinta-feira foi composta por Juliano Spyer, analista da Talk Interactive, e o Cid Gomes, governador do estado do Ceará.
Spyer fez uma apresentação distópica sobre a Internet. Após uma contextualização rápida de como surgiu e como funciona a rede, citou casos onde a web foi usada a favor de regimes de exceção.
Spyer encerrou sua apresentação citando um exemplo de Fortaleza de como a ferramenta pode ser usada de forma positiva. O WikiCrimes, do vizinho de condomínio Vasco Furtado, é um software colaborativo de ocorrências criminais e já foi referenciado por gente do gabarito de Clay Shirky.
A intervenção do governador do Estado, discorrendo acerca de sua experiência no Twitter, não foi das mais empolgantes. Melhorou um pouco com as perguntas da plateia. No vídeo acima, Cid Gomes fala sobre o imbróglio da #urlbura, onde todos os sites ligados ao Governo do Estado são redirecionados para o site do Governo. Ora, isso nada mais é do que inflar o tráfico do site de forma artificial. Cid Gomes ainda falou sobre a política que adotou para seguir pessoas no Twitter e, perguntado sobre o que achava do Twitter de José Serra, governador de SP, afirmou que o presidenciável “é o que de pior pode haver para o Brasil”.
Paulo Mota, assessor especial da Presidência do BNB e mediador da mesa, citando o exemplo do hype em torno do Second Life quando do seu lançamento, perguntou para Juliano Spyer qual futuro ele vislumbrava para o Twitter. “Não comparo o Twitter com o Second Life”, disse Spyer, que considera este um produto de marketing, diferentemente do Twitter, que “é a melhor expressão da Internet hoje”.
Para encerrar, perguntado sobre se o marketeiro do Obama conseguirá repetir no pleito de 2010, com o candidato do Partido dos Trabalhadores, o sucesso que teve com o presidente estadunidense, Spyer respondeu:
Em uma apresentação curta, Sílvia falou sobre construção do portal Brasil. O projeto prevê a existência de 37 homes e sub-homes, onde o conteúdo multimídia terá grande destaque, uma vez que a usabilidade para os deficientes foi levada em conta.
Interatividade e colaboração são as palavras-chave. O portal terá integração com várias redes sociais e tem como pretensão despertar uma sensação de pertencimento nos cidadãos. Tanto é assim que no dia 30 de Novembro uma primeira versão do portal, com apenas 30% do conteúdo, será lançada para que os internautas possam avaliar o resultado.
Sílvia Sardinha demonstra que, mais do que conhecer programas ou ferramentas, possui uma visão ampla do que é (ou pode ser) a comunicação digital. Esperamos que portal Brasil corresponda a essa expectativa.
Marcier Trombiere apresentou cases do Ministério da Saúde. Boa parte de sua apresentação foi mostrando o trabalho de formiga que realizaram nas redes sociais respondendo perguntas e eliminando o pânico das pessoas quando da gripe suína. Expôs ainda várias campanhas do Ministério que estão integradas com as redes.
A conferência de abertura foi com Nelson Breve, secretário de imprensa da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). Nelson contou algumas histórias de quando foi assessor de José Dirceu e outras envolvendo o presidente Lula.
Afirmou que o bom trabalho que realizou com o ex-deputado foi fundamental para que o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, o convidasse para o cargo que ocupa hoje.
Respondendo pergunta da plateia, Nelson Breve disse que a ideia do Blog do Planalto surgiu há mais de um ano, mas a burocracia emperrou o projeto por mais de nove meses. O blog foi criado para suprir “uma necessidade de fazer disputa política do ponto de vista do governo”.
Afirmou que o blog foi inspirado no blog de transição do Obama, que não permitia comentários. Essa foi uma das justificativas que deu para a inexistência de espaço para comentários no Blog do Planalto. As outras foram: “nós não temos equipe para ficar moderando os comentários” e, mesmo que tivessem, “os comentaristas iriam reclamar de censura”.
Louvou a criação do “blog clone“, já que este “mostrou como seriam os comentários no Blog do Planato: um tucano e um petista se xingando por coisas que não tem nada a ver com o conteúdo do post, briga política pura”, disse o secretário, completando, “não é aquilo que eu quero”.
O Twitter da presidência da República vai sair, mas não tão cedo e a ideia inicial é que ele sirva apenas de rss dos posts do blog, ou seja, nada de interação. O canal do Youtube foi criado e aguarda apenas a aprovação do Google. A Secom conversa ainda com a Yahoo! para abrir uma conta no Flickr também.
Na última terça (14), o editor-editor do Diário do Nordeste, Ildefonso Rodrigues realizou uma palestra sobre o Panorama da Convergência Midiática para os alunos de Jornalismo da Unifor.
Rodrigues foi claro ao afirmar que atualmente os jornais não possuem uma “cultura de convergência”. Os profissionais que estão no mercado seriam deveras tecnicistas, muito voltados apenas para a escrita. “Apenas agora a academia volta-se para a convergência”. Afirmou que os jornalistas terão que ser cada vez mais multitarefa, agregando valor a notícia com vídeos, áudios, infográficos, etc. Nesse sentido, criticou a postura corporativista do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará, que não perceberia que a convergência vai exigir cada vez mais dos profissionais, seja alimentando blogs, seja editando material multimídia.
O editor-chefe do Diário pontuou sua fala com números do site jornal. O Portal Verdes Mares, onde o DN está hospedado, é o terceiro portal mais acessado das 18 filias da Rede Globo. O DN representa 70% dos acessos ao PVM. Em 2008, o jornal teve 65 milhões de visitas, um crescimento de 29% em relação ao ano anterior. Apesar de não revelar qual o faturamento mensal (ou anual) do site, ilustrou dizendo que a Folha Online arrecada R$ 1 milhão por mês.
Rodrigues indicou alguns sites que gosta da proposta jornalística e que costuma visitar, como Limão, o site de Esporte do Clarín e do produtor multimídia Dalber Candido, além da cria da casa, Zona Cyber. Salientou ainda que o grande desafio da Convergência Midiática é a organização de conteúdo como forma de potencializar a interatividade. A seguir três rápidas perguntas que fiz logo após o término da palestra.
Nesse carnaval fui esquadrinhar os livros que meu pai havia adquirido no hiato em que passei fora de casa. A descoberta mais interessante foi Chibata! João Cândido e a Revolta Que Abalou o Brasil, de Hemetério (desenhos) e Olinto Gadelha (roteiro). Primeiro porque era uma história em quadrinhos (e desde que Bane deixou o Batman aleijado que meu pai não comprava uma), depois porque a graphic novel é excelente e, finalmente, porque os autores são cearenses.
Entrei em contato com Hemetério e o convidei para bater um papo. Boa praça que é, aceitou de cara. Para os que não conhecem a figura seguem algumas informações.
Hemetério nasceu em 1971, em Fortaleza. Formado em arquitetura, trabalha mesmo como ilustrador e designer. Antes de Chibata!, já havia publicado dois livros: Desenhos (1993) e Garatujas (2004). Desde de 2005 alimenta um blog e, mais recentemente, criou uma conta no twitter. É de autoria de Hemetério o famoso texto “Quando os cearenses dominarem o mundo!“, que em 2006 percorreu centenas de correios eletrônicos feito spam.
Em Maio do ano passado, Hemetério ganhou o primeiro lugar na categoria cartum no 19º Salão Carioca de Humor com este desenho.
Chibata! traz ainda deliciosos easter eggs, como as participações especiais de Quintino Cunha, Santos Dumont, Bob Esponja, a Praça do Ferreira, naves de Guerra nas Estrelas e até dos próprios autores (imagem ao lado).
Como nunca havia gravado uma conversa no computador, o resultado não é assim uma brastemp (e seria bem pior se não fosse o auxílio inestimável do Wagner Brito), mas dá para acompanhar. E, em seguida, a bela música que Aldir Blanc e João Bosco compuseram para o Almirante Negro.