Arquivo para a Categoria: 'Destaque'

Nov 27 2008

Dicas de blogs portugueses

Dias desses saiu o resultado da premiação Super Blog Awards 2007-2008, capitaneado pela cerveja Super Bock (que inclusive possui uma bela propaganda). Entre os critérios usado pelo júri estavam “avaliar o conteúdo, funcionalidade e o design dos blogs, através da atribuição de pontos a cada blog“. Eis os vencedores:

Categoria Atualidade, Notícias e Media - Da Rússia

Da Rússia

Criado em 2006 pelo jornalista José Manuel Milhazes Pinto, o blog traz “não só artigos sobre a situação política na Rússia e nos países do antigo espaço soviético, mas também trabalhos de investigação sobre as relações entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e a União Soviética (Rússia).”

Categoria Cultura, Arte e Entretenimento - Mundo de Séries

Mundo de Séries

Como o nome revela, o blogue volta suas atenções para notícias e comentários acerca das séries estadunidenses.

Categoria Desporto - O Visconde de Alvalade

O Visconde de Alvalade

Blog dedicado ao time de futebol Sporting Clube de Portugal.

Categoria Educação e Ambiente - Ciência ao Natural

Ciência ao Natural

O paleontólogo Luís Azevedo Rodrigues assina este blogue de “reflexões sobre História Natural“.

Categoria Humor - Sorrisos em Alta

Sorrisos em Alta

Visite e dê algumas risadas. Ou não.

Categoria Música O Marsupilami

O Marsupilami

Um blog para falar sobre aquilo que me apaixona desde que me lembro: a música! E como não me basta falar sobre, falo também com quem a cria, com os compositores, músicos e todos aqueles que partilham a mesma paixão, para que com eles entenda ainda melhor o que ouço…

Categoria Pessoal - Blog do Katano

Blog do Katano

Confesso que este eu não conhecia. E, como não achei o Sobre do blog, continuo sem maiores informações. Todavia, o Caetano “definiu” o blog nos comentários e eu transcrevo aqui:

Este blog é uma expressão do que me rodeia. Gosto de partilhar aquilo que me preocupa e aquilo que me anima e também gosto de aproveitar para divulgar um pouco dos temas que considero fascinantes mas que, obviamente, outros poderão achar enfadonhos. Contudo, há algo que bate tudo em termos de motivação e que é imaginar que, em certos artigos, alguém irá rir ao lê-lo (estou a falar daqueles cujo objectivo é terem piada, claro). Foi esse o meu objectivo primordial em Maio de 2005: criar um espaço de referência para os meus amigos onde eles pudessem divertir-se.

Categoria Sociedade - Vila de Moimenta da Beira

Vila de Moimenta da Beira

Interessante iniciativa que procura maior obter maior interatividade entre o local e seus moradores. Além de ser de auxílio para quem procura conhecer a Beira. Bem que os bairros de Fortaleza poderiam realizar projetos semelhantes (ou já existem e eu tô falando besteira?).

Categoria Tecnologia - Peopleware

Peopleware

Blog coletivo que, desde 2005, traz as últimas novidades ligadas à informática.

Super Blog do Ano - Até onde vais com 1000 euros?

Até onde vais com mil euros?

2 amigos
2 bicicletas (emprestadas e de supermercado)
1000 euros cada um
Objectivo: Dakar
Até onde será que vão com 1000 euros?

Em Fevereiro deste ano, Carlos e Jorge sairam atrás de uma grande aventura. Neste post eles fazem um resumão do que foi a primeira viagem, que durou foi até Julho.

***

Conheça também os outros blogs finalistas em cada categoria

Artigos Relacionados

3 comentários até agora

Nov 23 2008

Flor do Mar e a reinvenção da teledramaturgia

Publicado por Ilo Aguiar em Destaque, Humor, Portugal, Vídeo

Os brasileiros, ufanistas que somos, sempre nos vangloriamos de termos como produtos de exportação o futebol, a caipirinha, o samba, a telenovela, entre outros. A qualidade intrínseca desses é tal que ninguém ousava questioná-la. Isso pelo menos até a estréia da nova novela da SIC TVI Flor do Mar.

Com uma trama totalmente inovadora, utilizando recursos nunca antes visto, Flor do Mar caminha a passos largos para ser um marco da teledramaturgia portuguesa, quiçá mundial!

Confesso que nunca vi um episódio da fustigante novela, todavia padeço toda vez que vejo uma peça publicitária por não ter um aparelho de televisão.

Para vocês terem uma idéia do grau de originalidade da qual estou falando eis alguns cartazes e um clipe promocional.

Desde já a mais original peça publicitária de todos os tempo!

Alguém duvida que essa campanha vai concorrer em Cannes?

Flor do Mar - Amores e ódios num cenário de sonho

Amores e ódios num cenário de sonho. É ou não é para morrer de inveja?!

Artigos Relacionados

4 comentários até agora

Nov 18 2008

Deolinda e o projeto do senador Azeredo de censura à internet

Publicado por Ilo Aguiar em Destaque, Internet, Música, Vídeo

Conheci hoje, graças ao Há Vida em Markl, a música Movimento Perpétuo Associativo, do grupo Deolinda.

Quanto ao dia da blogagem política contra o vigilantismo, o Leonardo citou alguns regimes de exceção no Século XX. Acrescentaria que, nos casos citados, notadamente o nazismo, o fascismo e a Ditadura Militar brasileira, para além da imposição do Estado, a maioria da população, se não condescendente, foi, no mínimo, omissa.

Por isso, leia a letra de Movimento Perpétuo Associativo. Não sejamos negligentes, recordemos aquele poema de Martin Niemöller, hoje censuram a Internet e amanhã? Como diria o clichê, faça a sua parte, diga não ao vigilantismo, assine a petição online contra o projeto e divulgue.

PS: Apenas a título de informação, há uma outra petição para tornar Movimento Perpétuo Associativo o novo hino português. É realmente uma lástima não termos um Bilhete de Identidade luso.

Artigos Relacionados

8 comentários até agora

Nov 05 2008

Ecos do DocLisboa 2008

Publicado por Ilo Aguiar em Cinema, Destaque

Mesmo após uma semana e meia do término do festival um longa não sai da minha cabeça: Hunger, de Steve McQueen. Mas antes de falarmos do filme, dois parênteses.

O primeiro. Apenas hoje, dez dias após o seu anúncio, é que fui ler com atenção os vencedores do DocLisboa 2008. Foram entregue ao todo doze prêmios. [Mania feia dos festivais de hoje em dia em querer premiar o maior número possível de filmes...]

Bab Sebta, Vencedor da Competicão Nacional
O longa dos jovens diretores Pinho e Lobo é bem superior a End of the Rainbow

Os grandes vencedores foram Bab Sebta, de Pedro Pinho e Frederico Lobo, eleito o melhor documentário português de longa-metragem e que aborda o desejo de alguns africanos em aportar na Europa; e End of the Rainbow, de Robert Nugent, escolhido melhor longa-metragem internacional e que mostra a extração do ouro na enigmática Guiné-Conacri por uma multinacional. Mesmo com pontos de partida diversos, o tema central de ambos os filmes é o mesmo: a exploração do homem pelo homem. São filmes sobre as esperanças, são filmes sobre os sonhos, sonhos que insistem em resistir a dura realidade. São filmes políticos e urgentes. Rená falou do Bab Sebta no DocBlog.

O Steve McQueen estadunidense
Descanse em paz

Segundo parêntese. Vocês conhecem Steve McQueen, o diretor de Hunger? Até hoje pensava que o realizador dessa película era o veterano ator estadunidense de filmes como Quando Explodem as Paixões, Sete Homens e Um Destino, Fugindo do Inferno, O canhoneiro de Yang-Tsé, Crown, O Magnífico, Bullit ou Inferno na Torre. Vocês imaginam então o choque que foi descobrir que na próxima sexta-feira (7) completarão 28 anos que o Steve McQueen desses filmes já não está entre nós. Peço um minuto de silêncio em sua memória.

Fim do segundo parêntese.

O Steve McQueen britânico
Sem contar o Spike Lee, quantos diretores negros de Cinema você conhece?

O ganhador da Caméra d’Or (prêmio para cineastas debutantes) deste ano em Cannes, Steve McQueen, é um renomado artista inglês que, entre outras atividades, produziu durante sua carreira pequenos vídeos experimentais e ganhou o prêmio Turner Prize em 1999. Aos trinta e nove anos realizou seu primeiro longa-metragem. Hunger remonta as últimas seis semanas de Bobby Sands, ativista do IRA que liderou a famosa greve de fome de 1981 contra o tratamento que recebiam dos agentes prisionais britânicos e em busca do estatuto de prisioneiro político.

Os inovadores

De tempos em tempos os espectadores de Cinema são surpreendidos com toques de genialidade de alguns excêntricos diretores. Foi assim com Méliès e seus efeitos especiais; com a noção de continuidade obtida por Williamson e Porter; com a tensão gerada pela montagem paralela de Griffith; com a dialética de Eisenstein; com a fotonovela cinematográfica de Chris Marker; com os flashbacks de Citizen Kane; com a fragmentação da narrativa de Resnais; com os falsos raccord de Godard; com o jogo narrativo de Pulp Fiction. É essa frescura inovadora que permeia todos os noventa minutos de duração de Hunger.

Hunger, o filme do ano
Michael Fassbender (esq.) está muito bem no papel de Bobby Sands

A silenciosa, e angustiante, cena em que o guarda limpa os dejetos dos presos com um esfregão; um moribundo Bobby sendo velado por uma câmera que mais assemelha-se a um urubu ou a própria Morte, à espera da sua próxima vítima; o, desde já, antológico plano-seqüência em que Bobby explana suas razões para iniciar a greve de fome ao reverendo. Não há planos gratuitos na película. Citei três cenas, mas poderia discorrer sobre cada plano exaustivamente e ainda não esgotaria as possibilidades de leitura das cenas. Isso sem falar da estrutura narrativa, onde “trocamos” de personagem sem aviso prévio e sem retorno, algo totalmente novo (pelo menos pra mim).

Steve McQueen pode nunca mais finalizar um filme. Seu nome já está na História do Cinema.

Veja uma entrevista do diretor.

Artigos Relacionados

2 comentários até agora

Out 28 2008

DocLisboa 2008: quinto dia

Publicado por Ilo Aguiar em Cinema, Destaque

Após uma pausa para recuperar as forças da maratona de filmes, seguimos com rápidos comentários sobre os filmes que vi no Festival.

Parlez Moi d’Amour (Tell Me About Love), de Alexia Bonta. **

Em um hospital, duas velhas falam sobre amor. Apesar de estarem à beira da morte, relembram antigos amores com muita vivacidade e altas doses de humor. Discorrem também sobre o presente com sobriedade e austeridade. Curto - conta apenas com 14 minutos -, o filme deixa a platéia com um gostinho que quero mais. Melhor assim.

Faz-se necessário um parêntese sobre a diretora. Aos 26 anos, a debutante Alexia, com toda sua timidez e charme, ganhou, de longe, na opinião deste humilde escriba, o prêmio de musa do Festival. Infelizmente não consegui tirar uma foto decente da belga e na internet achei apenas esta, que não condiz com toda sua beleza. De qualquer forma fica aqui o registro.

The Red Race, de Chao Gan. ***

Não sei quantas medalhas a China levou em ginástica nestas Olimpíadas, contudo sei que não foram poucas. Fico sempre impressionado com aqueles pequenos notáveis desafiando as leis da gravidade. A fabricação desses prodígios é o tema do pertinente documentário de Gan. São crianças de 4, 5, 6 anos de idade sendo submetidas a treinamentos desumanos. Durante uma hora vemos meninos e meninas serem xingados, humilhados e até espancados por treinadores que não fariam feio frente ao Sargento Hartman, de Full Metal Jacket. E a pressão para tornarem-se grandes atletas e ganharem medalhas transpõem o ginásio. Pais e mães fazem uma lavagem cerebral nessas pobres crianças. Fiquei imaginando como eram os treinamentos na ex-União Soviética.

No Youtube existe um vídeo de dez minutos do longa. O problema é que é dublado em espanhol, tem narração e musiquinha sentimentalóide. Enfim, serve como um péssimo convite para assistir ao bom The Red Race. Todavia, como acho que o acesso ao filme será difícil, fica a sugestão.

El Sastre (The Tailor), de Óscar Perez ***

Mohamed é um emigrado paquistanês que trabalha em um dos bairros mais pobres de Barcelona como alfaiate. Singh é seu ajudante. Acompanhamos a conflituosa relação patrão-empregado e empresa-cliente.

Mohamed é um trambiqueiro de mão cheia. Engana os clientes, a Singh e a si próprio. Quando estão sós (mas com a presença da câmera, é óbvio), supondo que o diretor não sabe a língua que estão falando, os migrados desatam a falar do filme e do diretor. Perez, muito espirituoso, aproveita-se disso e faz um curta hilário.

All White in Barking, de Marc Isaacs ****

Barking é o subúrbio londrino onde existe a maior incidência de imigrantes na Inglaterra. Susan e Jeff são um casal caucasiano que moram há anos na região e são impelidos pela equipe de filmagem a jantarem com os vizinhos nigerianos. Dave é um conservador que milita pelo partido de extrema-direita, o Partido Nacional Britânico. O judeu Monty é um sobrevivente do Holocausto que mantém uma relação afetuosa com a africana Betty.

O filme faz parte de uma série de seis episódios da BBC chamada White. Com as vantagens (e desvantagens) de ser um produto televisivo, All White in Barking é um excelente documentário sobre a tolerância e a questão do Outro. Isaacs foi muito feliz na escolha do “elenco”, expondo contradições inerentes do preconceito e obtendo ótimas tiradas.

Dave possui aversão a estrangeiros (negros em especial), mas suas filhas namoram afro-descendentes e ele (Dave) possui um neto negro. “É do meu sangue, o que eu posso fazer?”, diz em determinado momento. Monty leva Betty no encontro anual dos sobreviventes do Holocausto. Entre olhares de desaprovação, somos brindados com o discurso mais lúcido do filme. Após o jantar na casa dos nigerianos, Susan (ou foi Jeff? já não me recordo) diz uma frase que é síntese do preconceito dissimulado: “different, BUT enjoyable.” Essa simples palavra faz toda a diferença.

Afterschool, de Antônio Campos

Sabe aqueles filmes que lhe escapa? Que você sente que não captou, que não estava na mesma sintonia? Aconteceu isso com Afterschool.

Eis a sinopse: “Robert é um jovem estudante note-americano numa Escola Preparatória de elite situada na Costa Este dos Estados Unidos que filma acidentalmente a morte trágica de duas colegas de turma. Após o acidente, as vidas das alunas são homenagedas através de um projeto audiovisual destinado a sarar rapidamente o luto da comunidade escolar. Além disso Frederick Wiseman quer fazer um documentário sobre o fato. Mas o trabalho em vídeo acaba por gerar um clima de desconforto e alimentar uma atmosfera de paranóia e suspeição entre os estudantes e os professores.”

A estréia do jovem diretor Antônio Campos - 21 anos - é o retrato de uma geração. A dele, a minha. Imagens de celular, Youtube e a própria Internet são personagens do filme. Durante a projeção lembrei de Elephant, de Gus Van Sant. Um filme curioso e incômodo, que merece uma revisita.

Artigos Relacionados

Seja o primeiro a comentar

Out 23 2008

DocLisboa 2008: quarto dia

Publicado por Ilo Aguiar em Cinema, Destaque

Finalmente consegui assistir a bons filmes no domingo, 19. Já não era sem tempo.
Novela na Santa Casa, de Cathie Levy. ****


Cathie Levy conta ao público que demorou mais de cinco anos para realizar o longa.

Entrada lateral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Centenas de pessoas aguardam em pé a vez de serem chamadas e receberem a esperada ficha. São em sua larga maioria mulheres. Anseiam serem operadas pelas “mãos milagrosas” do mítico “Professor Pitanguy“. Como o hiato entre o preenchimento da ficha e a cirurgia plástica demora, via de regra, meses, foi nesse intervalo que Cathie Levy decideu filmar o seu longa.

Utilizando, sabiamente, apenas a Santa Casa como locação, acompanhamos o dia-a-dia de seis, sete mulheres que desejam mudar o visual. Diferentemente de Be Like Others, onde Eshaghian mantem um distanciamento asséptico das pessoas, em pouco tempo sentimos uma identificação com aquelas mulheres. Suas histórias nos interessa, e, em último caso, passamos a nos preocupar com elas. Impossível não rir com a espirituosa Edna ou com a faceira Claudemira. Vemos nascer amizades e compartilhamos suas confissões.

Levy consegue esses resultados sem ser invasiva ou emitir juízos de valor. Em um dos momentos mais tocantes da película duas personagens estão encaminhando-se para a mesa de operações. Excitadas e aflitas e esperançosas, elas dão tchau para a câmera - no único momento de interação com a equipe de filmagem - e, em seguida, a porta fechasse. “The Promise of Happiness”, título em inglês do filme, resume bem a motivação daquelas moças: elas não esperam (apenas) corrigir o nariz ou perder peso. A esperança delas é que suas vidas mudem a partir da operação.

Territórios de Passagem Culturgest, Casa de Cima, Outra Memória, de Solveig Nordlund. **


Nordlund mora e trabalha em Portugal há décadas.

José Pedro Croft é um dos mais importantes artistas portugueses da atualidade (você o conhece? Nunca tinha ouvido falar). O curta de Nordlund acompanha três de seus trabalhos durante o ano de 2008. Na realidade são três curtas em um. Cada filme possui uma estrutura bem diferente dos demais.

O primeiro foca na figura do artista. Croft fala um pouco da sua arte e explica o que predente fazer no espaço da Culturgest. É demasiado didático e enfadonho. O segundo procura ser mais irreverente, contudo também decepciona. No terceiro vemos grupo de operários sofrendo horrores ao tentarem erguer uma dúzia de pesados espelhos. Sem diálogos e com ótimos planos, é sem dúvida o melhor.

Durante a apresentação do filme a diretora afirmou que esses curtas são excertos que farão parte de um longa sobre Croft. Torcemos para que Nordlund use Outra Memória como ponto de partida e, sutilmente, descarte da edição final os dois primeiros.

Dificilmente o que Habita Perto da Origem Abandona o Lugar, de Olga Ramos *****


O Canavial: Memória Metamorfose de um Corpo Ausente (1968). Via Flickr.

Primeiro grande filme do Festival. O documentário passa em vista a vida e obra do escultor português Alberto Carneiro - que é cara do Paulo César Pereio. Desde a infância, passando pela diáspora até chegar ao regresso à sua terra natal, o filme é pontuado por imagens de suas obras e intervenções do próprio escultor. Versando sobre suas influências e acerca da matéria-prima de sua arte, é prazer ouvir Carneiro falar.

A fotografia do filme é belíssima. A seqüência em que Carneiro faz a instalação de canaviais e fica admirando o seu trabalho é formidável. Olga Ramos ainda mostra-se extremamente espirituosa ao colocar no decorrer do filme trechos do áudio com a interpretação do mapa astral do escultor. É Hilário.

Singelo, terno e cativante, Dificilmente o que Habita Perto da Origem Abandona o Lugar é um filme a não perder.

Artigos Relacionados

Seja o primeiro a comentar

Out 21 2008

DocLisboa 2008: terceiro dia

Publicado por Ilo Aguiar em Cinema, Destaque

Filmes que vi no sábado, 18.

We (Wo Men), de Huang Wenhai. *


Wenhai, sabesse lá como, recebe o prêmio na seção Novos Horizontes, em Veneza.

Durante as Olimpíadas de Pequim 2008 assisti a várias matérias nas quais os repórteres tentavam arrancar uma confissão, um lamento, uma queixa que fosse de algum cidadão chinês acerca do Governo (leia-se Partido Comunista da China). O resultado era quase sempre frustrante, para os repórteres, é claro. Ainda por cima, muitas vezes, os entrevistados aproveitavam a oportunidade para louvar as maravilhas desse Paraíso na Terra que é a China.

O filme de Wenhai, nesse aspecto, é o sonho daqueles repórteres. Durante quase duas horas de projeção, três gerações de chineses descem o pau na atual direção do PCC. O curioso é que a maioria dos entrevistados são intelectuais que já fizeram parte do Governo no passado. Eles falam em montar um novo partido e divulgam suas idéias por blogues. Todavia, com receio de represálias, raramente fazem reuniões físicas e quando os blogues atingem a marca de 1.000 (mil) visitas diárias, eles simplesmente fecham-no e criam outro. Ou seja, efetivamente o poder de oposição deles é praticamente nulo. Eles brincam de fazer oposição e o Governo finge ficar preocupado.

Para além da falácia contestadora do longa, temos um outro problema. Wenhai precisa urgentemente ter umas aulas de edição. Os 102 minutos de projeção parecem intermináveis. Somos torturados sucessivamente com intermináveis monólogos sobre nada relevante. E o pior é que ele afirmou durante o debate que We faz parte de uma trilogia sobre o que o povo chinês pensa sobre o Governo. Que Deus nos proteja.

Gonzo: The Life and Work of Dr. Hunter S. Thompson, de Alex Gibney. ***

Sou suspeito para falar de algo relacionado ao Hunter Thompson. Sou grande fã do cidadão. Seus livros são fabulosos e adorei quando Johnny Depp o interpretou em Fear and Loathing in Las Vegas. Dito isso, vamos as considerações acerca do mais recente filme de Gibney, ganhador do Oscar de Melhor Documentário em 2008 com Taxi to the Dark Side, e diretor do ótimo Enron: The Smartest Guys in the Room.

Gonzo destoa de tudo que já passou nesta edição do DocLisboa. Por vezes ágil como um videoclipe, por outras psicodélico como uma dose de LSD, Gonzo é um produto genuinamente Hollywoodiano. Narrado por Depp, o filme conta um belo time de entrevistados, como do desenhista Ralph Steadman, do senador Democrata George McGovern, do presidente Jimmy Carter, do líder dos Hell Angels Sonny Barger e do jornalista Tom Wolfe. Mesmo investigando a queda de Thompson, não podemos negar que o longa é uma apologia ao escritor que reinventou a Imprensa.

Artigos Relacionados

Seja o primeiro a comentar

Out 19 2008

DocLisboa 2008: segundo dia

Publicado por Ilo Aguiar em Cinema, Destaque

Segue os comentários dos filmes que vi na sexta-feira (17).

Be Like Others, de Tanaz Eshaghian. *


No Irã o homossexualismo é ilegal e punível com morte. Contudo, há mais de vinte anos, Ayatollah Khomeini legalizou as operações de mudança de sexo. Atualmente existem mais de 150 mil transexuais no país e o Irã só perde para a Tailândia em número de procedimentos desse gênero. Através da câmera asséptica e hiper-realista da diretora, somos apresentados a alguns homens que anseiam fazer essa operação.

Crentes em Deus, as personagens agem (e falam) como se a mudança de sexo fosse obra da Providência. Tal atitude é até mesmo encorajada pelo Governo, que possui “peritos em teologia” que justificam o procedimento biblicamente.

Com uma estética digna dos piores reality shows sobre cirurgias plásticas, Eshaghian documenta desde a consulta médica, onde o paciente é obrigado a provar que é “anormal”, para ganhar o subsídio do Governo, até o resultado final, meses depois.

Defendendo a tese de que as pessoas agem dessa forma porque desejam serem aceitas na sociedade, o longa acaba por ser maniqueísta e didático.


António Dias Lourenço (esq), ao lado de Edgar Feldman, relembra o tempo em que esteve preso.

O Segredo, de Edgar Feldman. **


António Dias Lourenço foi personagem ativa durante o Estado Novo português. Membro do Partido Comunista Português desde os treze anosde idade, Lourenço foi preso pela primeira vez pela polícia salazarista em 1949, e colocado no Forte de Peniche. Em meados de 1954 é encarcerado no “Segredo”, alcunha para solitária, durante um mês por ter desacatado um guarda. É de lá que Lourenço executa uma das belas (e corajosas) fugas da história.

Esse episódio é o mote do curta de Feldman. Conhecemos os pormenores da evasão contada pelo próprio Lourenço, hoje com 94 anos. Simples e direto, o filme é simpático e importante para as novas gerações, que não viveram os terrores do Estado Novo.


Possidónio Cachapa fala sobre como conheceu Urbano.

O adeus à brisa, de Possidónio Cachapa. **


Assim como em O Segredo, em O adeus à brisa o discurso direto é predominante. Urbano Tavares Rodrigues, intelectual português, discorre acerca da sua infância, de seus encontros, suas influências, seus sonhos. Frágil e dócil, Urbano transborda carisma, humanismo e idealismo.

Apesar do excesso de closes em imagens de arquivo, a subutilização das (poucas) entrevistas e a duração do filme ( com 55 minutos, poderia ser bem menor), a estréia de Cachapa como diretor é satisfatória.


Rui Simões agradece à sua equipe.

Ruas da Amargura, de Rui Simões. *

“As Ruas da Amargura são povoadas por homens e mulheres, de todas as idades, com carências afectivas, financeiras, problemas mentais, alcoolismo, toxicodependência, ou simplesmente pessoas que chegaram a Portugal à procura de uma vida um pouco melhor.

Do outro lado da Rua há um formigueiro de voluntários, assistentes sociais e técnicos diversos que constroem e mantêm estruturas de apoio, uns pensando em dias melhores, outros institucionalizando a ajuda sem acreditar que o fenómeno possa ter cura.”

A sinopse do filme aponta um dos vários problemas deste longa: a falta de foco. Inicialmente seguimos o dia-a-dia de seis, sete personagens que vivem em uma situação delicada. Em seguida, sem aviso prévio, Simões emprega a mesma técnica que utilizou anteriormente para apresentar os “sem-abrigo”, agora para expor uma senhora que coordena um grupo de voluntários no Centro de Lisboa. Confesso que a mudança de ponto de vista de forma tão seca e abrupta deixou-me um tanto quanto desorientado. A partir de então passamos a acompanhar as ações desse grupo. Buscando abordar duas perspectiva diferentes, Simões acaba por falhas em ambas: não temos contato suficiente com os voluntários para compreender suas motivações nem para nos solidarizarmos com eles; assim como as histórias dos protagonistas perdem ritmo e importância com essas intervenções.

Mas esse é dos menores problemas de Ruas da Amargura. O diretor sucumbe no erro primário de estereotipar suas personagens. Através de uma edição questionável, ele manipula e distorce a realidade. Dessa forma temos seqüências como aquela em que alguém entornar seis, oito, dez copos de forma consecutiva; ou quando somos induzidos a sentir comiseração pelo sujeito que vive sozinho e a base de vinho e cigarro. Há ainda planos apelativos e dispensáveis como o banho de um dos protagonistas. E o que falar da estranha e conveniente chegada do missionário tentando persuadir um dos moradores de rua a ir para uma “Comunidade”?

Rui Simões é um cineasta experiente e não deve ter falhado (e faltado) tão primariamente com o bê-a-bá da ética documental. Provalmente devo está imaginando coisas. Devo ter visto um filme que não foi aquele que ele filmou. Para todos os efeitos, aqueles que estiverem em São Paulo nos próximos dias poderão tirar suas próprias conclusões. A 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo exibirá o filme hoje (veja os horários das sessões).

Como o documentário não possui data para estrear comercialmente em Portugal, e muito menos no Brasil, deixo aqui o trailer.

Artigos Relacionados

Um comentário até agora

Out 17 2008

DocLisboa 2008: primeiro dia

Publicado por Ilo Aguiar em Cinema, Destaque

Começou nesta quinta-feira (16) o VI Festival Internacional de Cinema Documental. Durante onze dias mais de 175 filmes serão exibidos nas salas de cinemas do São Jorge, Londres e Culturgest.

Com 13 documentários, a China é o grande tema desta edição, que conta ainda com uma homenagem a Frederick Wiseman, o “maior documentarista vivo”, uma mostra sobre Moçambique, outra apenas com longas acerca de música, entre outros. Veja aqui a programação do evento. A seguir os filmes que vi ontem.

The Last Letter, de Frederick Wiseman. ***

Baseado em um capítulo do livro Vida e Destino, de Vasily Grossman, remonta a 1941, quando um gueto ucraniano é dominado pelos nazistas. Consciente da proximidade da morte, a velha Anna Semyonovna (Catherine Samie) resolve escrever sua última carta ao filho.

Temos apenas dois elementos em cena neste filme, Samie e suas sombras. Graças à bela fotografia de Yorgos Arvanitis, as penumbras ganham vida, tornando-se personagens na trama. Com muitos planos detalhe e super closes, acabamos por virar confidentes, cúmplices de Semyonovna. A velha ucraniana versa sobre o cotidiano da vila após a chegada dos alemães, sobre seus medos, seus amores, seus arrependimentos. O texto é excelente, denso e emocionante, sendo amplificado pela soberba interpretação de Samie.

A única contrapartida do longa é sua duração. The Last Letter acaba por perder muito da sua força e eficácia por extender-se por mais de uma hora. Mesmo assim, vale assistir apenas pelo último plano, quando Semyonovna vai às lágrimas e nos leva as lágrimas.

O Mistério do Samba, de Lula Buarque de Holanda e Carolina Jabor. ***

O Mistério do Samba fez sua estréia em Portugal em grande estilo. Sala lotada e muitos aplausos após o término da sessão. O filme, que está em cartaz no Brasil desde Agosto, é uma homenagem à Velha Guarda da Portela.

Hesitante no início e por vezes irregular, o longa de Lula perde ritmo com as intervenções maçantes de Marisa Monte e Paulinho da Viola (as primeiras, principalmente, são totalmente descartáveis). O carisma (e vigor) do longa está, obviamente, nos integrantes da Velha Guarda. São eles que nos fazem morrer de rir (Seu Argemiro, Tia Eunice, Surica) e nos emocionam (Tia Surica, Seu Jair do Cavaquinho). É impressionante a capacidade que eles possuem de criar lindos sambas em um piscar de olhos, assim como é desanimador saber que muitos desses perderam-se no tempo.

Muitas vezes lembrando o cult Buena Vista Social Club (1999), O Mistério do Samba goza ainda de uma qualidade rara nos filmes brasileiros: um excelente som.

Artigos Relacionados

Seja o primeiro a comentar

Out 12 2008

A textura de Kiefer e o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão

Publicado por Ilo Aguiar em Cultura, Destaque

Lendo a versão portuguesa da revista alemã Deutschland descobri que o pintor e escultor alemão Anselm Kiefer será a primeira pessoa agraciada com o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão, um dos prêmios mais importantes da Alemanha, que não é das letras. A notícia é velha, todavia, como a homenagem será realizada apenas no próximo domingo (19) acredito que Keifer ainda será muito falado durante esta semana.


Auto-retrato (1969)
Confesso minha ignorância: nunca tinha ouvido falar no “melhor artista da sua geração nos dois lados do Atlântico”, a afirmação é da Time Magazine. Utilizando elementos como ferro, areia, carvão, chumbo, fios, cacos, cinza, etc., Kiefer fez obras que marcaram a década de 80. Segundo o jornalista Daniel Piza, o diferencial desse artista de 63 anos é que ele “conseguiu converter em idioma estético um recurso formal de que seus contemporâneos usaram e abusaram, deixando vasta prole na mídia atual: a textura.” Citando novamente a revista Deutschland, Kiefer “é o artista plástico mais bem-sucedido e mais conceituado da Alemanha [juntamente com o pintor Gerhard Richter]. Em toda grande coleção de arte contemporânea, principalmente nos EUA e na Europa, há pelo menos uma obra de Kiefer”. A seguir alguns trabalhos desse “típico artista alemão”.

Broken Flowers and Grass (1979-1980)

Quadros com várias camadas e de tons fortes, Gebrochen Blumen und Gras, nome das duas obras em alemão, são inspirados em um poema homônimo do poeta Walther von der Vogelweide. Destaque para a pessoa que aparece deitada de vestido: é próprio Kiefer.

Unternehmen “Seeloewe” e Die Meistersinger (1981)

Deduzo, pelos títulos, que as pinturas são derivações do plano alemão de invadir a Inglaterra e da ópera Os Mestres Cantores de Nuremberg, de Wagner, respectivamente.

Lilith (1987-1989)

Olhar apocalíptico acerca do caos urbano e da incomunicação. Segundo a wiki, foi inspirada em uma visita do pintor à cidade de São Paulo.

Melancholia (1989)

Volkzählung (1991)

Buch Mit Flugeln (1992-1994)

Horus (1998)

Untitled (2007)

Apesar de não ser escritor, como pudemos ver nos últimos trabalhos, a escrita, o livro e a literatura são presença constante em sua obra. O júri do prêmio justificou assim sua decisão: “por ser um artista que confronta a sua época com a perturbadora mensagem moral do ruinoso e do efêmero” e sua obra está baseada “na capacidade de desenvolver uma linguagem figurativa, que faz do observador também um leitor”, Kiefer receberá o 58º Friedenspreis des Deutschen Buchhandels.

Fonte: Deutschland.
Mais obras de Kiefer: ArtCyclopedia, The Metropolitan Museum of Art, White Cube e BBC

Artigos Relacionados

Seja o primeiro a comentar

Próximos »