E o mercado fonográfico brasileiro respira. Até quando?

abril 16th, 2009 § 3

A Associação Brasileira dos Produtores de Disco (ABPD) divulgou o balanço de 2008. As vendas de músicas subiram 6,5% em relação a 2007. A Sony teve um crescimento de 10%, enquanto que a EMI conseguiu aumentar suas vendas em incríveis 50%. O relatório 2008/2009 da ABPD traz depoimentos dos presidentes das maiores gravadoras, que, obviamente, exaltam os resultados e esperam um 2009 ainda melhor. O presidente da Som Livre, Leonardo Ganem, sugere que os bons resultados derivam do preço do CD original, que gira entre R$ 9,90 e R$ 14,90. De fato, as vendas de CDs e DVDs do atacado ao varejo cresceram 4,9%. Estaria o Brasil indo na contramão do mundo?

Via ABDP

A mesma pergunta foi feita quando da divulgação do crescimento da circulação de jornais em 2008. Não creio que o Brasil é uma espécie de Do Contra, apenas caminha em um ritmo mais lento. Ao passo que as plataformas digitais geraram em 2008 20% do total das vendas de música no mundo, no Brasil esse segmento refletiu apenas 12% do mercado. Muito embora, no ano passado, tenha crescido 79,1%, enquanto o resto do mundo ficou nos 25%.

O último mês foi exemplar para dissipar dúvidas acerca do declínio do mercado fonográfico tradicional: Counting Crows abandonou a Universal Music, Marilyn Manson disponibilizou sua nova música para download, Bob Dylan fez mesmo, Metallica deve deixar a Warner Music e Mike Skinner, dos The Streets, liberou seis músicas pelo twitter. Isso para não falar de iniciativas como a do Fórum Música é Para Baixar.

Via ABPD

Espero que os presidentes das gravadoras não fiquem muito inebriados pelos bons resultados, e torço para que eles compartilhem da clarividência do presidente da ABPD, Paulo Rosa, possui sobre o assunto.

O negócio fonográfico no Brasil e no mundo passa por um período de transição e reinvenção desde o início da atual década, durante o qual as empresas que operam no mercado vêm reduzindo custos e investimentos e, sobretudo, medindo com muita cautela os riscos de cada empreitada. A redução gradativa no faturamento das empresas fonográficas iniciada no final dos anos noventa teve conseqüências significativas tanto nestas mesmas empresas como no próprio mercado musical como um todo. A pirataria de CDs e DVDs musicais combinada com o crescente uso de redes P2P para “compartilhar” arquivos musicais na Internet vêm sendo apontados como os principais problemas, mas certamente não são os únicos. Com as novas tecnologias e o uso da Internet como ferramenta essencial ao nosso dia a dia, os hábitos de consumo de música mudaram completamente, e a própria relação entre produtores de música, artistas e o público consumidor alterou-se de tal forma, que vivemos um mercado musical em muitos aspectos diferente hoje, se o comparamos ao existente dez anos atrás.

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