
Sergio Leone certa vez explicou que gostava de trabalhar com Eastwood com a seguinte frase: “Eu gosto do Clint Eastwood porque ele possui apenas duas expressões faciais: uma com o chapéu, e outra sem ele.” Clint foi sem dúvida nenhuma a grande inspiração de uma leva de atores que despontaram na década de 90, tendo Keanu Reeves como expoente máximo. E o filme que fez de Eastwood uma estrela de primeiro escalão em Hollywood foi Dirty Harry (ou Perseguidor Implacável no Brasil ou ainda A Fúria da Razão em Portugal). A película dirigida por Don Siegel atualizou o gênero policial ao trazer elementos do western clássico e fez tanto sucesso que ganhou quatro seqüências.

Confesso que só conhecia o longa de nome e que fiquei bastante assustado com resultado (principalmente se compararmos com The Beguiled, do mesmo ano, com o mesmo Clint e o mesmo Don). Harry Gallahan é um individualista que rege a sua vida através de uma ética pessoal muito peculiar e que freqüentemente vai de encontro com as normas da sociedade em que vive. Some-se a isso o fato de que Gallahan não possui passado, fraqueza ou profundidade psicológica (ou se possui o filme não aborda) e temos uma máquina de matar que trabalha para o Estado.
Muito falou-se de um viés fascista em Tropa de Elite quando do seu lançamento, mas convenhamos que perto de Dirty Harry o filme de José Padilha é no máximo conservador. Os negros do filme de Don Siegel ou são assaltantes ou marginais, o único policial latino da trama não agüenta o tranco e vira professor, os homossexuais são ridicularizados. Todavia, o mais chocante é a mensagem final.

Ao jogar sua insígnia de policial fora e manter sua arma, Callahan reafirma sua descrente nas instituições, considera-se acima das leis e deixa subentendido que irá fazer justiça com as próprias mãos. Um autêntico cowboy nas ruas de São Francisco.
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