Dias desses saiu o resultado da premiação Super Blog Awards 2007-2008, capitaneado pela cerveja Super Bock (que inclusive possui uma bela propaganda). Entre os critérios usado pelo júri estavam “avaliar o conteúdo, funcionalidade e o design dos blogs, através da atribuição de pontos a cada blog“. Eis os vencedores:
Categoria Atualidade, Notícias e Media – Da Rússia
Criado em 2006 pelo jornalista José Manuel Milhazes Pinto, o blog traz “não só artigos sobre a situação política na Rússia e nos países do antigo espaço soviético, mas também trabalhos de investigação sobre as relações entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e a União Soviética (Rússia).”
“Um blog para falar sobre aquilo que me apaixona desde que me lembro: a música! E como não me basta falar sobre, falo também com quem a cria, com os compositores, músicos e todos aqueles que partilham a mesma paixão, para que com eles entenda ainda melhor o que ouço…”
Confesso que este eu não conhecia. E, como não achei o Sobre do blog, continuo sem maiores informações. Todavia, o Caetano “definiu” o blog nos comentários e eu transcrevo aqui:
“Este blog é uma expressão do que me rodeia. Gosto de partilhar aquilo que me preocupa e aquilo que me anima e também gosto de aproveitar para divulgar um pouco dos temas que considero fascinantes mas que, obviamente, outros poderão achar enfadonhos. Contudo, há algo que bate tudo em termos de motivação e que é imaginar que, em certos artigos, alguém irá rir ao lê-lo (estou a falar daqueles cujo objectivo é terem piada, claro). Foi esse o meu objectivo primordial em Maio de 2005: criar um espaço de referência para os meus amigos onde eles pudessem divertir-se.”
Interessante iniciativa que procura maior obter maior interatividade entre o local e seus moradores. Além de ser de auxílio para quem procura conhecer a Beira. Bem que os bairros de Fortaleza poderiam realizar projetos semelhantes (ou já existem e eu tô falando besteira?).
2 amigos
2 bicicletas (emprestadas e de supermercado)
1000 euros cada um
Objectivo: Dakar
Até onde será que vão com 1000 euros?
Em Fevereiro deste ano, Carlos e Jorge sairam atrás de uma grande aventura. Neste post eles fazem um resumão do que foi a primeira viagem, que durou foi Julho.
Conheci hoje o blog Precários Inflexíveis. O manifesto dá uma idéia de quais são seus objetivos:
“Somos precári@s no emprego e na vida. Trabalhamos sem contrato ou com contratos a prazos muito curtos. (…) Vivemos de biscates e trabalhos temporários. Dificilmente podemos pagar uma renda de casa. Não temos férias, não podemos engravidar nem ficar doentes. Direito à greve, nem por sombras. Flexisegurança? O “flexi” é para nós. A “segurança” é só para os patrões. (…) Não deixaremos esquecer as condições a que nos remetem. E com a mesma força com que nos atacam os patrões, respondemos e reinventamos a luta. Afinal, somos muito mais do que eles.
Precári@s, sim, mas inflexíveis.”
O grupo anda agora a divulgar o Prêmio Precaridade 2008 que predente laurear quem mais propagou o trabalho precário na terra de Camões. Em cada categoria existe um vídeo justificando a escolha dos indicados. Muito engraçado.
A votação encerra-se no dia 11 de Dezembro e a entrega do Gasganete Dourado será feita dia 13 de Dezembro, às 22 horas, na Rua das Portas de Santo Antão, 110, em Lisboa.
Agora, e se existisse um Prêmio Precaridade no Brasil, em quem você votaria?
Os brasileiros, ufanistas que somos, sempre nos vangloriamos de termos como produtos de exportação o futebol, a caipirinha, o samba, a telenovela, entre outros. A qualidade intrínseca desses é tal que ninguém ousava questioná-la. Isso pelo menos até a estréia da nova novela da SICTVIFlor do Mar.
PS: Apenas a título de informação, há uma outra petição para tornar Movimento Perpétuo Associativo o novo hino português. É realmente uma lástima não termos um Bilhete de Identidade luso.
Todos os dias somos bombardeados por um mar de informações irrelevantes e redundantes. Por isso achei tão pertinente essa mensagem escrita em muro no caminho de casa. Para refletir.
Mesmo após uma semana e meia do término do festival um longa não sai da minha cabeça: Hunger, de Steve McQueen. Mas antes de falarmos do filme, dois parênteses.
O primeiro. Apenas hoje, dez dias após o seu anúncio, é que fui ler com atenção os vencedores do DocLisboa 2008. Foram entregue ao todo doze prêmios. [Mania feia dos festivais de hoje em dia em querer premiar o maior número possível de filmes...]
O longa dos jovens diretores Pinho e Lobo é bem superior a End of the Rainbow
Os grandes vencedores foram Bab Sebta, de Pedro Pinho e Frederico Lobo, eleito o melhor documentário português de longa-metragem e que aborda o desejo de alguns africanos em aportar na Europa; e End of the Rainbow, de Robert Nugent, escolhido melhor longa-metragem internacional e que mostra a extração do ouro na enigmática Guiné-Conacri por uma multinacional. Mesmo com pontos de partida diversos, o tema central de ambos os filmes é o mesmo: a exploração do homem pelo homem. São filmes sobre as esperanças, são filmes sobre os sonhos, sonhos que insistem em resistir a dura realidade. São filmes políticos e urgentes. Rená falou do Bab Sebta no DocBlog.
Sem contar o Spike Lee, quantos diretores negros de Cinema você conhece?
O ganhador da Caméra d’Or (prêmio para cineastas debutantes) deste ano em Cannes, Steve McQueen, é um renomado artista inglês que, entre outras atividades, produziu durante sua carreira pequenos vídeos experimentais e ganhou o prêmio Turner Prize em 1999. Aos trinta e nove anos realizou seu primeiro longa-metragem. Hunger remonta as últimas seis semanas de Bobby Sands, ativista do IRA que liderou a famosa greve de fome de 1981 contra o tratamento que recebiam dos agentes prisionais britânicos e em busca do estatuto de prisioneiro político.
Os inovadores
De tempos em tempos os espectadores de Cinema são surpreendidos com toques de genialidade de alguns excêntricos diretores. Foi assim com Méliès e seus efeitos especiais; com a noção de continuidade obtida por Williamson e Porter; com a tensão gerada pela montagem paralela de Griffith; com a dialética de Eisenstein; com a fotonovela cinematográfica de Chris Marker; com os flashbacks de Citizen Kane; com a fragmentação da narrativa de Resnais; com os falsos raccord de Godard; com o jogo narrativo de Pulp Fiction. É essa frescura inovadora que permeia todos os noventa minutos de duração de Hunger.
A silenciosa, e angustiante, cena em que o guarda limpa os dejetos dos presos com um esfregão; um moribundo Bobby sendo velado por uma câmera que mais assemelha-se a um urubu ou a própria Morte, à espera da sua próxima vítima; o, desde já, antológico plano-seqüência em que Bobby explana suas razões para iniciar a greve de fome ao reverendo. Não há planos gratuitos na película. Citei três cenas, mas poderia discorrer sobre cada plano exaustivamente e ainda não esgotaria as possibilidades de leitura das cenas. Isso sem falar da estrutura narrativa, onde “trocamos” de personagem sem aviso prévio e sem retorno, algo totalmente novo (pelo menos pra mim).
Steve McQueen pode nunca mais finalizar um filme. Seu nome já está na História do Cinema.