Out 12 2008

A textura de Kiefer e o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão

Publicado por Ilo Aguiar às 2:02 am em Cultura, Destaque

Lendo a versão portuguesa da revista alemã Deutschland descobri que o pintor e escultor alemão Anselm Kiefer será a primeira pessoa agraciada com o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão, um dos prêmios mais importantes da Alemanha, que não é das letras. A notícia é velha, todavia, como a homenagem será realizada apenas no próximo domingo (19) acredito que Keifer ainda será muito falado durante esta semana.


Auto-retrato (1969)
Confesso minha ignorância: nunca tinha ouvido falar no “melhor artista da sua geração nos dois lados do Atlântico”, a afirmação é da Time Magazine. Utilizando elementos como ferro, areia, carvão, chumbo, fios, cacos, cinza, etc., Kiefer fez obras que marcaram a década de 80. Segundo o jornalista Daniel Piza, o diferencial desse artista de 63 anos é que ele “conseguiu converter em idioma estético um recurso formal de que seus contemporâneos usaram e abusaram, deixando vasta prole na mídia atual: a textura.” Citando novamente a revista Deutschland, Kiefer “é o artista plástico mais bem-sucedido e mais conceituado da Alemanha [juntamente com o pintor Gerhard Richter]. Em toda grande coleção de arte contemporânea, principalmente nos EUA e na Europa, há pelo menos uma obra de Kiefer”. A seguir alguns trabalhos desse “típico artista alemão”.

Broken Flowers and Grass (1979-1980)

Quadros com várias camadas e de tons fortes, Gebrochen Blumen und Gras, nome das duas obras em alemão, são inspirados em um poema homônimo do poeta Walther von der Vogelweide. Destaque para a pessoa que aparece deitada de vestido: é próprio Kiefer.

Unternehmen “Seeloewe” e Die Meistersinger (1981)

Deduzo, pelos títulos, que as pinturas são derivações do plano alemão de invadir a Inglaterra e da ópera Os Mestres Cantores de Nuremberg, de Wagner, respectivamente.

Lilith (1987-1989)

Olhar apocalíptico acerca do caos urbano e da incomunicação. Segundo a wiki, foi inspirada em uma visita do pintor à cidade de São Paulo.

Melancholia (1989)

Volkzählung (1991)

Buch Mit Flugeln (1992-1994)

Horus (1998)

Untitled (2007)

Apesar de não ser escritor, como pudemos ver nos últimos trabalhos, a escrita, o livro e a literatura são presença constante em sua obra. O júri do prêmio justificou assim sua decisão: “por ser um artista que confronta a sua época com a perturbadora mensagem moral do ruinoso e do efêmero” e sua obra está baseada “na capacidade de desenvolver uma linguagem figurativa, que faz do observador também um leitor”, Kiefer receberá o 58º Friedenspreis des Deutschen Buchhandels.

Fonte: Deutschland.
Mais obras de Kiefer: ArtCyclopedia, The Metropolitan Museum of Art, White Cube e BBC

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