Em Lisboa ando a pé, de mêtro e, eventualmente, de ônibus. As rotas que faço diariamente, felizmente, já foram bem assimiladas, por isso não preciso ficar procurando o nome da rua toda vez que saio de casa. Todavia, quando cá cheguei, e também quando preciso ir em algum novo lugar, é sempre o mesmo perrengue. Ou eu faço uma pesquisa antes no GoogleMaps ou com certeza perderei um bom tempo procurando os nomes das ruas.

Cruzamento localizado no Rio de Janeiro
Não é que falte informação em Lisboa, muito pelo contrário, talvez por ser uma cidade turística, Lisboa é recheada de mapas. O problema, minha implicância no caso, são com as placas das ruas. Em Fortaleza praticamente todo cruzamento tem um postezinho na esquina com o nome das ruas que fazem aquele cruzamento (como na foto acima), algo instrutivo, simples e, principalmente, eficaz, afinal pode ser visualizado a metros de distância. Aqui, em Lisboa, caso você queira saber o nome da rua que faz cruzamento com a que você está, você é obrigado a entrar na rua, porque a placa com esta informação está enterrada na parede de um prédio, e isso quando há placa. Fico imaginando como fazem os turistas que alugam carros. GPS aqui é pré-requisito básico.

Mas, para além desse detalhe, não podemos negar que Portugal possui um sistema de sinalização MUITO superior ao brasileiro. São ao todo 22 secções de placas. As mais interessantes são os símbolos de indicações Turísticas, Culturais, Desportivas e Geográficas e Ecológicas. Dessa última reproduzo, respectivamente, a gruta, a praia, o parque de merendas e o percursos pedestres (nesta última não parece que o cidadão da bengala está dando uma discreta rasteira na moça que segue logo atrás?)

Nas ruas, até agora, vi duas placas curiosas: “trânsito proibido a peões, a animais e a veículos que não sejam automóveis ou motociclos”.

Foto de Lucas Sampaio
E, a mais sensacional de todas, vista na porta de saída de um ônibus e que, estranhamente, não se encontra catalogada nas normas de sinalização:

Foto de Lucas Sampaio
Tenho visto em minha cidade que pouquíssimas placas que ficam em postes nos cruzamentos das ruas ainda sobrevivem. É um completo descaso da população e das autoridades que não costumam coibir os atos de vandalismo e furto (as placas, ou são simplesmente destruídas por pessoas que não têm o mínimo censo de comunidade, ou são furtadas por alguém no intuito de angariar algumas patacas). Sinto saudade dos tempos em que as placas com nomes das ruas eram incrustadas nas paredes das casas, longe do alcance da barbárie.
————————–quando digo "censo" leia-se "senso"———————————————–