
A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, esteve em todas as esquinas, em todos os canais e em todas as revistas e jornais de Portugal no último mês. Ela foi a garota-propaganda da “maior loja de electrónica de consumo da Europa”, a Media Markt, durante a campanha para o Dia das Mães, que por cá ocorre no primeiro domingo de maio. Provas? Bem, tirei duas fotos porcas de um dos anúncios.


É ou não é a cara da nossa prefeita?

Após quase duas semanas de festival, o IndieLisboa chegou ao fim da sua 5ª edição no domingo último, dia 4. Como vocês sabem fui designado para trabalhar na loja do São Jorge. Eu e mais duas pessoas. Como o evento é para um público muito específico, passamos a maior parte do tempo olhando para o teto, nos revezando vendo filmes e jogando os jogos que acompanham o Windows Vista.

Consegui assistir 14 sessões, totalizando 28 filmes, sendo 17 curtas e 11 longas. Gostei de três curtas. Em With a Little Patience, do húngaro Laszlo Nemes, acompanhamos mais um dia de trabalho de uma secretária. Com a câmera sempre muito próximo do corpo da protagonista, temos acesso a sua rotina, a sua intimidade. Filmado em um único plano-seqüência, o curta de 13 minutos trabalha muito bem com o som, com o campo e, principalmente, com o fora de campo. Traz ainda um final arrebatador.
Aproveitando a brecha do horário do almoço, Ana e Paul resolvem comprar utensílios para o novo lar. Mas a falta de comunicação do casal pode acabar com o programa e com o relacionamento dos dois, principalmente quando surge um (hilário) empregado da loja querendo ajudar, e conquistar, Ana. Impressionante como os filmes romenos possuem uma estética parecida com a realidade brasileira. Assistindo o romeno Bricostory, de Andrea Padureane, senti que o casal estava no Makro lá de Fortaleza.
KJFG No.5, outro curta húngaro, de Alexey Alekseev, foi a grande sensação do IndieJunior. Na floresta, um urso, um coelho e um lobo praticam de forma perfeccista sua música. O ensaio é interrompido quando um caçador e seu cachorro surgem em cena. Foram os dois minutos mais engraçados do festival.

O mais recente longa de Mike Leigh, Happy-Go-Lucky, é excelente. A professora do primário Penny é a personagem mais espirituosa dos últimos tempos, palmas para Sally Hawkins. Durante a projeção fiquei lembrando da música do Monty Phyton, “Always Look on the Bright Side of Life”. Essa ode à felicidade personificada por Penny poderia soar falso, inverossímil, ou pior, chato. Mas os diálogos de alto nível, com tiradas engraçadíssimas, dão uma dimensão hiper-realista, e encantadora, da personagem.

Harmony Korine, o roteirista de Kids e Ken Park, volta à direção em grande estilo. Um imitador de Michael Jackson se apaixona por uma sósia de Marilyn Monroe em Paris. Esta o convida a viver em uma comuna com outros imitadores. Assim somos apresentados, entre outros, a Abraham Lincoln, Sammy Davis Jr., Chapeuzinho Vermelho, James Dean, os Três Patetas, rainha Elizabeth, que dorme com o Papa João Paulo II, e Charlie Chaplin, marido de Marilyn, com quem tem uma filha, Shirley Temple. Mas a a grande sacada de Mister Lonely não é história da construção do “Maior Espetáculo da Terra” por parte dos sósias ou as suas desavenças, mas a outra linha narrativa que corre em paralelo, a incrível saga das freiras voadoras (!). As cenas delas pulando do avião sem pára-quedas, uma inclusive com bicicleta, são lindas.

Import Export, do sueco austríaco Ulrich Seild, fecha o time de bons longas que vi no festival. Película densa, Seild filma de forma seca e crua. Duas histórias de migração, Olga, jovem enfermeira ucraniana, procura melhorar de vida na Áustria. Paul, jovem austríaco, viaja com seu padrasto para a Ucrânia, onde vivem a base de álcool e prostitutas. Destaque para as cenas no hospital geriátrico e a comovente seqüência final.
O filme mais polêmico e, conseqüentemente, discutido do Indie foi, sem sombra de dúvida, o português A Zona, de Sandro Aguilar. Bem, não posso falar muito sobre o longa, uma vez que dormi boa parte, mas só pelo burburinho criado a seu redor, no estilo ame-o ou deixe-o, já vale a pena conferir. Não gostei nenhum pouco das partes em que fiquei acordado. Puro onanismo cinematográfico (existe essa expressão? Bem, mas vocês entenderam), belos planos e… só. Pode até ser que o filme seja considero um divisor de águas na História do Cinema e Aguilar alçado ao patamar de gênio, pode ser que digam que seus planos transcendem a narrativa, que é uma experiência metafísica ou que é um longa de sensações, de texturas. Juro que durante a exibição procurei entrar nessa onda, mas no fundo não entendi nada e nada ficou após a sessão, a não ser a sensação de que o cara tinha errado MUITO feio.

Anabazys, dirigido pela filha de Glauber Rocha, Paloma Rocha, e Joel Pizzini, aborda a gêneses, a execução e a recepção de Idade da Terra, último longa de seu pai. O documentário é prejudicado por inserções de entrevistados que defendem em demasiado a figura de Glauber, mitificando sua figura. Todavia, o material inédito com imagens e sons do diretor valem o filme. Glauber era um porra-louca, um radical, um incendiário, um ególotra e um gênio. Fechemos os olhos para as falhas do documentários e escutemos, com os olhos e com os ouvidos, toda a verborragia do diretor mais importante do Brasil.
Longas que vi:
Happy-Go-Lucky (2008) *****
Import Export (2007) ****
Mister Lonely (2007) ****
Let the Right One In (2008) ***
The Juche Idea (2008) ***
Anabazys (2007) ***
Mad Detective (2007) ***
Occident (2002) ***
Cap Nord (2007) **
Sparrow (2008) **
A Zona (2008) º
Curtas que vi:
KJFG No. 5 (2008) *****
Dominicu (2008) ***
Bricostory (2007) ****
Stille Post (2007) ****
Shaun, the Sheep: Still Life (2007) ***
Twenty Questions (2007) ***
Acasa (2007) **
Convite para Jantar com o Camarada Stalin (2007) **
Hare the Servant (2007) **
Blue (2007) *
Botteoubateau (2007) *
La Flor Mas Grande del Mundo (2007) *
Le mort n’entend pas sonner les cloches (2007) *
La tête dans les flocons (2007) º
Enrst im Herbst (2006) **
With a Little Patience (2006) ****
Dincolo (1999) **
º – Péssimo * – Ruim ** – Regular *** – Bom **** – Ótimo ***** – Excelente