
O IndieLisboa começa na próxima quinta-feira, 24 de abril, e vai até 4 de maio. Indo para a sua quinta edição, o Festival Internacional de Cinema Independente já é um dos maiores eventos cinematográficos de Portugal. Com 238 filmes provenientes de 40 países, o IndieLisboa procura descobrir novos talentos, por isso, para a competição, aceita apenas produções que sejam o primeiro ou o segundo filme do realizador.
Foi com essa breve introdução e, principalmente, com a sedutora proposta de que poderia assistir filmes de graça, que o fluminense Rená Tardin me convenceu a trabalhar como voluntário no festival. “Cara, a gente vai poder ver os filmes tudos de graça e ter acesso às festas”, dizia todo empolgado. Na sexta passada tivemos o lançamento oficial do evento. Ocorreu na Fnac do Baixo Chiado e teve cerca de 25 testemunhas. Vi muitos voluntários e nenhum jornalista.

Durante a semana havia recebido um email dos organizadores dizendo que iria trabalhar na divulgação no sábado e no domingo, das 14h às 20h. Nesses dois dias não peguei em um planfeto, em compensação martelos e pregos estavam sempre à mão. Há tempos não fazia tanto trabalho braçal. “Leva essas caixas para lá”, “sobe com esses DVDs”, “monta essa estante”, “monta essa mesa”; essas foram algumas das frases mais repetidas nesses dias. Juro que não sei qual é a graça que o Cláudio Abramo via em ser carpinteiro. A única coisa realmente legal dessas doze horas perdidas da minha vida foi eu finalmente ter empunhado uma Black & Decker. Quanta emoção. Senti-me como um serial killer em filme de terror B.

Ontem tivemos outra reunião. Ficarei encarregado de trabalhar todos os dias do festival na loja do Cinema São Jorge, das 16h às 22h. Não, não ganharei nenhuma comissão nos artigos que ajude a vender e, em uma rápida olhada na programação, posso afirmar que perderei mais de 80% dos filmes.
Nota mental: Nunca aceite trabalhar de graça.
Nota mental 2: Nunca, jamais, em hipótese alguma, embarque na onda do auto-intulado “maior cineasta vivo de Itaperuna”.