Não sou o que se pode chamar de otimista, muito pelo contrário. Também não sou de criar muitas expectativas em relação a algo ou alguém, mas confesso que estou decepcionado com a Universidade Nova de Lisboa. Dia 25 de fevereiro começaram as aulas. Fui procurar as cadeiras nas quais havia me inscrito, mas fico sabendo que três delas não serão ministradas nesse semestre. Eu não ficaria tão chateado com a surpresa caso a senhora encarregada dos assuntos internacionais não tivesse dito que estava tudo ok quando mandei um e-mail, ainda em Fortaleza, perguntando exatamente sobre isso.
Fui atrás de incluir novas cadeiras e percebi que algumas delas possuem dois horários seguidos. Ciberjornalismo, por exemplo, começa às 10h e vai até 14h. Apesar de recear morrer de fome (e de tédio) inclui duas cadeiras assim. Uma delas, Fotografia, é segunda-feira, mas o professor faltou no dia. Assim como o de Teoria da Notícia, Ciberjornalismo e Atelier em Jornalismo. Resumo da ópera: na primeira semana tive uma “aula”, a apresentação da cadeira de Filmologia: programa da disciplina, como serão as avaliações (aqui eles chamam de freqüência), suas respectivas data, etc.
Primeira semana de aula, pensei, boas-vindas, muitos alunos mudando as disciplinas, na segunda semana a figura deve mudar. Fico sabendo que o Nelson Traquina, que ministra Teoria da Notícia, está hospitalizado e faltará a semana toda. Em Fotografia o professor chegou trinta minutos atrasado, apresentou a disciplina, tal qual o professor de Filmologia, e foi embora. O mesmo procedimento foi adotado em todas as disciplinas. Com duas semanas de aula eu havia tido duas aulas, ambas de Filmologia.
Semana passada finalmente tive aulas regulares, embora as duas com jornada dupla durem bem menos do que as quatro horas propostas. O problema é que a Universidade deu um recesso de DUAS SEMANAS para as comemorações da Semana Santa. Só vou ter aula de novo dia 31 de março. Estou ficando mal acostumado.
Fotos de Lucas Sampaio e Rubens Carvalho
Sempre assisti muitos desenhos animados. Passava horas diante da televisão, zapeando à procura do próximo desenho. Assistia de tudo, não era muito seletivo nem muito exigente, mas poucos, pouquíssimos mesmo, faziam-me anseiar o próximo episódio como Tintin. O jornalista belga foi uma das personagens mais interessantes e ricas dos desenhos que já vi. Todavia, fazem séculos que não assisto um episódio de Tintin e é por isso que a notícia de que Steven Spielberg vai dirigir a primeira película do personagem criado por Georges Remi fez despertar em mim toda a euforia e alegria de ver um novo episódio. E mais: será uma triologia, assinada por Spielberg e Peter Jackson. Torçamos para que eles tenham sucesso ao transportar o universo do desenho (e dos quadrinhos) para a tela grande.
A Kibon não existe em Portugal, mas há o Olá. Primeiramente imaginei tratar-se de um plágio deslavado. Todavia, vi que todos os produtos são iguais e descobri que o Olá é apenas um dos vários irmãos que a Kibon possue espalhados pelo mundo. São mais de 25 nomes adotados em cerca de 40 países. Algida na Itália, Frigo na Espanha, Miko na França, Good Humor nos Estados Unidos, Tio Rico na Venezeula, Wall’s no Reino Unido, entre outros. O Wall’s do Reino Unido vem de Thomas Wall, o pai da marca. Começou a comercializar sorvete em 1913, vendeu a marca em 1920 e hoje ela representada pela multinacional Unilever, dona também do Axe, da Close-Up, do Dove, da Hellmann’s, do Knorr, da Lux, do Rexona, da Omo e mais uma infinidades de produtos. Ah, a Unilever chama o sorvete de Heartbrand . Depois dessa cultura inútil, um (péssimo) comercial do Olá:
Após dois dias de notícias inócuas, os jornais lusos resolveram trabalhar. O título do post não é manchete de nenhum periódico, mas como estou estudando em uma universidade portuguesa, a notícia chamou minha atenção. Um estudo com oito faculdades da Universidade de Coimbra revelou que 1 em cada 10 estudantes acha que a pípula anticoncepcional protege da infecção por HIV. Questionados por qual razão não compram camisinhas, 41% responderam que sentem vergonha e 13% dizem que é caro (um pacote com 6 camisinhas aqui na esquina custa cerca de 6 euros). Some-se a isso a notícia de ontem, de que uma em cada quatro jovens americanas está com DST, e temos um quadro preocupante. Imagine qual seria o resultado de estudos como esses nas universidades brasileiras…
Ontem, no Porto, um senhor de 53 anos esfaqueou até a morte seus dois irmãos: um de 57 e outro de 63. O motivo? O Global aposta em questões referentes a herança de família (pág. 10). O irmão mais velho administrava uma padaria conceituada na cidade e as discursões giravam em torno do assunto. O caçula ainda tentou o suicídio, mas a polícia chegou a tempo de evitar mais uma morte.
O PSD (Partido Social-Democrata) mudou de logo, de lema, e de discurso (pág. 3). Só não mudou de nome, como um outro brasileiro. O PSD é o principal partido de oposição ao Governo e enfrenta uma séria crise interna, daí a revitalizada. Ah, detalhe: essa é a 2ª grande mudança de imagem do partido em menos de 4 anos.
Ainda não tinha visto uma matéria elogiosa ao Brasil. Hoje saiu uma (pág. 12 e 13). Fala das belezas e encantos de Itacaré, no sul da Bahia. Está muito bem escrita, mas possui um quê de encomendada. Não se pode querer tudo, né?
Não sou uma pessoa religiosa, mas morar em Portugal e não ir em Fátima é o mesmo de passar férias no Rio de Janeiro e não visitar o Cristo Redentor. Após passar o dia conhecendo Marinha Grande e Leiria, cheguei em Fátima já no fim da tarde. Como sabia que dificilmente voltaria ali tão cedo fui logo no santuário, que é o que interessa. O que eu não sabia é que o Santuário é um mundo. São 5 capelas, fora a Basílica.
Capela da Reconciliação
A Capela da Reconciliação, que é logo na entrada, fica exatamente de frente com a Basílica. A capela possui 12 portões, cada um com uma mensagem de um apóstolo, e várias salas para confissões.
Como já estava escurecendo e descobri que as outras capelas ficavam um pouco longe, fui direto para a Basílica. Ela é linda, grandiosa, opulenta e impositiva, como toda igreja deve ser. Infelizmente, como tinha que pegar o ônibus das 18 horas para voltar para Lisboa, não pude assistir a nenhuma missa.
Peregrinações
Esse é o início da pista onde os peregrinos andam de joelhos. No tempo em que fiquei em Fátima, vi 3 pessoas fazendo o trajeto. A placa traz uma oração e orientações. O site ensina como peregrinar com segurança e fé.
Ofertas
Durante as poucas horas que estive no Santuário de Fátima não pude deixar de notar a quantidade de locais destinados a oferendas. Seguem fotos de alguns modelos (existem VÁRIOS de cada um desses espalhados pelas capelas e pela Basílica).
Lembracinhas
E por último, mas não menos importante, o comércio que é criado através da fé. A loja acima é uma das dezenas que existem na cidade. Equipadas com milhões de terços, imagens, velas, etc., o estabelecimento em questão traz um item que merece um destaque especial: a Água de Fátima, indispensável para qualquer católico que se preze.
A manifestação dos professores no sábado passado, aqui em Lisboa, reuniu cerca de mil professores de todo o país, tornando-se a maior manifestação da classe de todos os tempos. A Marcha da Indignação, que é contra a política do Gorveno para a Educação, não surtiu muito efeito. O primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou que a saída da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, está fora de cogitação. “As pessoas têm o direito de se manifestar. Mas era o que faltava se a acção governativa dependesse agora do nível das manifestações. Quem determina a acção governativa são os portugueses quando escolhem o Governo”, conclui Sócrates. Mais informações no Metro.
Minha primeira preocupação ao chegar ao alojamento foi saber qual era a sala de cinema mais perto. Não sei se vocês sabem mas estou morando ao lado do estádio do Sporting, o Alvaláxia. Lá existem 15 salas de cinema. Disseram-me que a inteira era € 5,20. Achei barato e fui conferir. O que não me contaram é que aqui não existe meia. Há apenas um desconto para estudantes. Acabei pagando € 4,20. As salas não são nada demais, as do Iguatemi não ficam devendo em nada as do Alvaláxia. Exceção feita à sala 11, que é tão ruim que não dá nem para comparar. Segundo o Rená, um dos milhares brasileiros que moram no alojamento, e que foi assistir Sweeney Tood, a sala é minúscula. “Aquilo não é uma tela de cinema. É brincadeira. É a menor sala que eu já vi”.
Como não tenho € 4,20 para gastar com freqüência tive que procurar opções mais compatíveis com a minha condição de estudante-brasileiro-que-não-tem-onde-cair-morto. Descobrimos que existia um cineclube na Universidade Nova de Lisboa. As sessões ocorrem todas as terças-feiras, às 21h30. Pensei que fosse gratuito, mas tive que pagar € 5,00 por uma carteirinha de sócio. A vantagem é que com ela posso assistir a todos os filmes de 2008 de graça. O longa de terça passada foi Stranger than Paradise, de Jim Jarmusch. Um filme despretencioso e delicioso. Recomendo!
Gostei bastante do cineclube, mas cinema uma vez por semana é pouco demais. A busca continuou e achamos a Cinemateca Portuguesa. São cerca de 5 filmes por dia e, o mais importante, por € 2 para estudante. Fiquei apaixonado. Já fui duas vezes. Assisti o noir Kiss Me Deadly, de Robert Aldrich, e o confuso Level Five, de Chris Marker, que foi precedido pelo excelente documentário Nuit et Brouillard, de Alain Resnais (retornarei a essas películas em outra ocasião). O documentário de Renais, que é em francês, foi exibido com legendas em inglês e, o mais impressionante, em plena 19h de uma quinta-feira a sala tinha, por baixo, 75 pessoas. Acho que encontrei minha segunda casa. Pelo menos até encontrar uma forma de ir para o cinema de graça.
Praticamente não assisti televisão desde que cheguei em Lisboa. Aqui no alojamento existe apenas um aparelho de televisão, na área de convivência, e os programas não chamam muito a atenção. A TV pega quatro canais: RTP, RTP 2, SIC e TVI. Em um deles, acho que na SIC, passa nada menos que QUATRO novelas brasileiras: Esperança (acho que aqui também existe uma espécie de Vale a Pena Ver de Novo), Desejo Proibido, Sete Pecados e Duas Caras. Os noveleiros do Brasil que cá estão, e não são poucos, contaram-me que os capítulos são exibidos com alguns meses de atraso em relação ao Brasil.