
No Ceará o Sol é onipresente. Sempre que se olha para o céu lá está ele, respeitável, poderoso, opressor mesmo. Em Londres e Paris sabíamos que Ele quase não dá as caras, observando tudo de longe, como um acanhado espectador. O que não esperávamos era que em Lisboa também fosse assim.

Foram quatro dias sem nem saber onde estava o Sol. Impossível orientar-se pelo céu.

Para completar, na segunda-feira, 18, Lisboa teve a maior chuva dos últimos vinte anos. O dilúvio matou um e deixou pelo menos mais dois desaparecidos. Isso sem contar as inundações e o trânsito caótico. Cheguei a pensar que a Turnê do Fim do Mundo, como diria Tutty Vasques, tinha chegado à cidade junto comigo. Mas, após quatro dias na escuridão, o Sol apareceu.

Timidamente, é verdade, mas o suficiente para iluminar e alegrar o resto do dia.