Gosto muito dos universos idílicos criados por Tim Burton. Adoro Os Fantasmas se Divertem (1988) e Big Fish (2003), mas sem dúvida os melhores filmes do diretor foram realizados em parceria com Johnny Depp: Edward Mãos de Tesoura (1990), Ed Wood (1994), e A Noiva-Cadáver (2005).
Por isso a expectativa com Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet era alta. O resultado é mais do que satisfatório e, com a iminência do Oscar, uma questão fica no ar: por que raios Sweeney Todd não foi indicado ao Oscar de Melhor Filme? Os Membros da Academia devem está ficando esclerosados, só pode. O musical de Tim Burton é muito superior do que, por exemplo, o certinho e esquecível Conduta de Risco.
Baseado em um musical da Broadway, o filme se passa em Londres do século 19 e conta a saga de um barbeiro (Johnny Depp) preso injustamente e que procura vingança. Enquanto não conclui a desforra, faz uma macabra parceria com Mrs. Lovett (Helena Bonham Carter) e sua loja de tortas.
Sweeney Todd não é redondinho e completo como o cinemão Desejo e Reparação e o cult Juno, outras duas películas indicadas ao Oscar, muito pelo contrário, certos elementos da trama quase derrubam o filme como o romance entre Anthony Hope (Jamie Campbell Bower) e Johanna (Jayne Wisener) e a obviedade da personagem mendiga. Mesmo assim, os pontos altos do musical superam as falhas. A canção onde Mrs. Lovett sonha com uma vida a dois com Sweeney Todd é hilária; a ponta de Sacha Baron Cohen interpretando um barbeiro italiano é marcante e impagável; o reencontro de Todd com suas navalhas também é emocionante. Aliás praticamente todas as canções possuem ótimas letras. Destaque negativo mais uma vez para a estreante Jayne Wisener, que ainda consegue a proeza de ser mais estranha que Christina Ricci.
Agora é esperar a releitura de Burton para Alice no País das Maravilhas, em 2010.
*Ainda não vi Sangue Negro e Onde os Fracos Não Têm Vez porque não foram lançados em Fortaleza.