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Na última terça-feira (26/05), o NYT criou o cargo de editor de “social media”. Uma semana depois foi a vez do Guardian. O ceticismo aconselha ficarmos com um pé atrás, afinal o posto pode servir como forma de policiar os repórteres em suas contas de twitter, facebook e congêneres. Mas não há como não ver com bons olhos esse tipo de iniciativa.

Com o esmorecimento da home, faz-se necessário uma presença cada vez mais efetiva em redes socias. Ir onde está sua audiência nunca foi tão vital.

Nada disso é novidade, muito pelo contrário, tanto que em Portugal, o jornal i marca presença em todos esses canais e o Público criou um hotsite para as eleições europeias de 2009 que, desde já, considero modelo.

Enquanto isso, aqui no Ceará, ainda engatinhamos. É verdade que Diário do Nordeste e o O Povo possuem conta de vídeo (O Povo também tem twitter). Todavia, o canal do O Povo não é atualizado há 2 meses e os vídeos de ambos primam pelo amadorismo: não há edição mais acurada e muitos vídeos tremem como se não houvesse amanhã.

Mas isso é o de menos, o que salta aos olhos é a falta de iniciativas. Os jovens não leem mais jornal e passam o dia no Orkut? Pois façam comunidades no Orkut que os tragam para o jornal, façam newsgames com os buracos da cidade ou sobre a Copa de 2014. Por que o ombudsman d’OPovo (e o conselho de leitores) não tem um blog?

A impressão que tenho é que quando os jornais daqui acordarem será tarde demais.

Ação e Dispersão

Cezar Migliorin

Você conhece Cezar Migliorin? Artista plástico, professor, doutor em Comunicação e Cinema (UFRJ - Sorbonne Nouvelle), Migliorin trabalhou em importantes filmes da retomada, entre eles, montou Carlota Joaquina (1995) e foi editor de som de O Quatrilho (1995) e Baile Perfumado (1997).

Em 2002, dirigiu o curta Ação e Dispersão. Com esse filme ganhou um prêmio de 4 mil dólares em um festival da Suíça. Ficou com metade do valor para si, mil guardou para a divulgação do próximo projeto e prometeu os outros mil para quem lhe vendesse os direitos de uma fita inédita e deixasse-o inserir o crédito ‘um filme/vídeo de Cezar Migliorin’. O projeto ficou conhecido como Artista Sem Idéia e foi matéria de jornais em 2005.

Dos quatro curtas de Migliorin, o único disponível em sites de compartilhamento de vídeos é Ação e Dispersão, a melhor crítica à política de editais que vi em tempos.

Dica de Rená Tardin

A nova peça publicitária do seriado americano Weeds mostra os percalços por qual passou a marijuana nos Estados Unidos. De popular e conceituada, a maconha foi demonizada durante boa parte do século 20. Agora, afundados em uma grave crise financeira, os americanos começam a olhar a erva com bons olhos novamente. Seu uso medicinal está gerando tanta receita que o estado da Califórnia estuda legalizá-la para estimular a economia.

O canal do seriado no youtube traz ainda Yes, we cannabis, onde sentencia: “o longo pesadelo nacional está perto fim“.

La apertura

La apertura

Durante o Ensino Médio conheci Os Contos da Montanha, do português Miguel Torga. Não nego que li única e exclusivamente porque meus proféticos professores de língua portuguesa tinham como favas contadas a presença dessa obra no vestibular daquele ano. Não “caiu”, mas este foi o melhor livro que passou pelas minhas mãos naquele ano. Enquanto o lia, não saia da minha cabeça aquele famoso aforismo de Tolstói, “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”.

Desde então nutro um particular apreço por obras que, reportando uma realidade específica, com suas singularidades intrínsecas, conseguem atingir as mais díspares e longínquas audiências.

É o caso do curta La apertura. Narrando um dia na vida de dois amigos dançarinos de tango que almejam a fama, a história filmada em um bairro pobre de Buenos Aires, bem poderia ter como cenário alguma cidade do interior do Ceará, apenas substituindo, evidentemente, o tango pelo forró.

Times Extra

Entendo a objeção que alguns jornalistas experientes possuem em ‘linkar’ conteúdo de outros veículos, afinal, aprenderam que precisam fidelizar o leitor e citar o concorrente é visto como disparate, erro passível de demissão por justa causa. Que o NY Times use links para conteúdo dos concorrentes, com a finalidade de agregar valor à notícia, e, pasmem, fidelizar o leitor, é exceção, visto como “outra realidade”.

Agora, não entendo é o jornal não usar hipertexto nem para o próprio conteúdo. Hoje O Povo traz um artigo do jornalista Plínio Bortolotti onde “rebate os argumentos do cineasta Rosemberg Cariry“, que teve um texto publicado no jornal na segunda-feira passada. Ingênuo que sou, achava que na página do artigo do Plínio teria o hipertexto (com link de novo que é para fixar) para o artigo do Cariry. Ainda não foi desta vez.

Como o Plínio é um jornalista, embora “jurássico”, descolado (possui blog e twitter), sugiro que ele repasse este texto para redação d’O Povo. Como o autor frisa logo no início, “este não é um pensamento novo, mas sinto que precisa ser dito novamente.”

I

Aparentemente, a Solormedia não lê jornais. O grupo editoral luso lançou nesta quinta-feira um novo jornal em Portugal. Em meio a uma grave crise financeira e a incerteza que ronda os jornais impressos, eis que surge i. O editorial aponta o objetivo.

Antes, uma explicação: o i acredita que a informação vale dinheiro. Mas reconhece que ninguém paga para conhecer o que já sabe. Quando há tempos um avião usou o rio Hudson como pista de aterragem, a proeza do piloto entrou-me no carro por SMS. Não tinha o rádio ligado. Não era preciso. A informação é viral. É um vírus bom, e o i sabe que este novo jornalismo exige que ela seja organizada de maneira diferente. Sabe que os leitores, na verdade, não querem papel dividido em pesadas secções de política, economia ou cultura. Ou o online a cuspir informação inútil a cada segundo. Querem ler o que interessa, o que de melhor e mais relevante se passa no mundo à sua volta: e por isso este projecto implode as secções tradicionais dos jornais, tal como o online desarruma a organização clássica dos sítios web.

(…)

O i quer devolver a agressividade que os jornais diários perderam, a profundidade que os semanários esqueceram e a sofisticação que as revistas procuram. Na verdade, o i acredita que num instante tudo muda e sabe que quem agora ler assim não lerá mais como antes. Não há inimigos nem concorrência. Há uma paixão imensa pela informação e uma equipa preparada para suar. Seja bem-vindo a este mundo novo.

Gostei bastante do site. Simples, limpo e informativo. As redes sociais estão presentes (o jornal possui conta no Blip.fm, Facebook, Flickr, Twitter e Youtube) e o canal de vídeos parece promissor.

A acompanhar.

The Auteurs

Rená Tardin, sempre ele, apresentou-me The Auteurs. À primeira vista, é de encher os olhos. Reúne milhares de clássicos do cinema mundial, além de disponibilizar lançamentos que acabaram de participar dos festivais mais badalados do mundo. Nada de torrents, vemos tudo online, via streaming. Aqui temos uma demostração da qualidade dos vídeos.

O site também é uma rede social. Você cria sua filmoteca, avalia e resenha filmes, fica sabendo os longas que seus amigos assistiram e ainda pode participar de fóruns. O acesso a boa parte do acervo - principalmente aos clássicos - é gratuito, pelo menos para os EUA.

No Brasil, até momento, apenas 140 títulos estão disponíveis, custando entre 1 e 3 dólares pela visualização. O problema nem é o preço em si, mas a falta de fitas interessantes.

Ainda assim, é uma iniciativa que merece ser acompanhada de perto.

Yo dual

Yo dual (Dual me)

Cuba é sempre fascinante. Não canso de ver seus veículos da década de 1950, sua arquitetura congelada no tempo e, principalmente, seus habitantes falando. Quanto conhecimento, quanta cultura. A Cuba (e os cubanos) que me encanta é a do Cinema. Uma Cuba mítica, idealizada.

Em Yo dual somos apresentados a um genuíno artista popular cubano. Filmado em estilo documental, o curta enfoca aspectos da dualidade da personalidade do artista que coincidem com certas características da dualidade do país.

Yo dual (Dual me), Dir. Alana Simoes from Alana Simôes on Vimeo.

Yo dual é o sexto filme da cineasta brasileira Alana Simões. Veja também o seu primeiro curta, Martín.

Via

Wag the Dog

Nesse feriado revi Mera Coincidência (Manobras na Casa Branca, em Portugal) para um trabalho da faculdade. Conhecido como o filme que antecipou o caso Monica Lewinsky, o longa de Barry Levinson é um pouco mais do que apenas um caso de “vida que imita a arte”. Detentor do título de um dos três filmes mais exibidos nos cursos de Jornalismo (juntamente com Cidadão Kane e A Montanha dos Sete Abutres), Mera Coincidência pode não empolgar os espectadores em geral, mesmo com seu ótimo roteiro e a boa interpretação de Dustin Hoffman, mas é um prato cheio para quem trabalha com comunicação.

O filme explora com sabedoria um ponto exaustivamente abordado pelos teóricos da comunicação: a ficcionalização dos conteúdos informativos. “Os jornais querem algo inesperado? Inventamos uma guerra com a Albânia. Querem imagens de encher os olhos? Criamos uma fuga com efeitos especiais. Querem um herói de guerra? Nós produzimos”, nos dizer o produtor de Hollywood interpretado por Hoffman.

Nesse sentido, o factóide mais bem produzido no Brasil talvez ainda seja o “Caçador de Marajás”.

Por que mais show e entretenimento e menos informação e interpretação? As razões são variadas, mas gostaria de ater-me em uma: o afã do furo. Sérgio Augusto já afirmou que, quando a Folha de S. Paulo elevou a Ilustrada ao patamar dos cadernos de Política e Economia, no fim da década de 1980, o “frenesi do furo” pasteurizou os cadernos de cultura dos grandes jornais.

Conferir à cultura o mesmo status jornalístico da política e da economia foi, sem dúvida, um avanço, mas algumas deformações ocorreram, ao longo do processo, nenhuma tão lamentável quanto o desatinado culto ao furo, à primeira mão, à exclusividade, que na maioria dos segundos cadernos vicejou. Os editores de cultura e amenidades não se preocupam mais em dar bem um assunto em seus cadernos; sua única e obsessiva preocupação é dar antes o que quer que seja, é “furar o concorrente”, como se um novo livro de Rubem Fonseca ou um novo disco de Caetano fosse uma novidade tão importante para a vida da população quanto a notícia de mais um plano econômico do governo ou a descoberta de uma falcatrua no sistema bancário.

A atual culto ao denuncismo está fazendo o mesmo com a Política. Os jornalistas, com medo de ficarem atrás da concorrência, noticiam primeiro para verificar depois, como bem observa Ricardo Kotscho.

Hoje, é fácil. As denúncias muitas vezes chegam prontas para os jornalistas - em forma de dossiês, fitas, listas, como um serviço de delivery.

Em geral, primeiro denunciam para só depois checar a veracidade do que foi publicado - mais ou menos como o policial que primeiro atira para depois pedir documentos.

Esperavasse que com o imediatismo da Internet, os furos (e barrigadas) fossem noticiados primeiro no online, enquanto que as versões impressas teriam maior acuro com as reportagens: verificação intensa dos dados e mais análise e interpretação. Até o momento, não é bem isso que estamos vendo.

Considerado “o cara” por Obama, fiador do FMI, personagem de South Park e futuro blogueiro, o presidente Lula estará nas telonas em Setembro.

Lula, o filho do Brasil, é mais um produto da clã Barreto, que nos últimos anos não tem acertado muito a mão. Orçado em R$ 12 milhões, torçamos para o filme seja pelo menos melhor do que trailer.

Via

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